terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Voo de Contemplação

Veio rápido, voando como um pássaro fugidio.
Enfrentou tempestade, vento forte, chuva grossa. Passou por dias de neblina, de visão turva, de uma névoa que inebria e às vezes engana.
Depois de uma noite de brisa suave o dia amanheceu azul, aquele azul sem nuvem, com a lua ainda apontando de um lado enquanto o sol cintila do outro tornando aquela manhã fantástica como só seu voo soube ser.
Ao acordar se deu conta do cansaço, do longo percurso, da estrada, do céu, do mar que por hora percorreu. Olhou adiante e viu sua missão tão perto que chegou a parecer miragem; viu num horizonte distante o sonho e agora sua maior verdade estava ali, há poucos passos, a um leve bater de asas.
Sentou-se. Ficou a contemplar o destino que de tão imediato parecia urgente - e já não o era. Foi sonho por ser impossível, maravilhado voou, correu, nadou, lutou para alcançar; e ali tão perto, quase tangente ficou a admirar sua busca, seu destino, seu lugar naquele cenário.
O sonho vale a luta; a missão vale a busca; o destino vale o risco e a vida?
A vida vale o caminho percorrido, o resto é contemplação!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Do que não foi

O que não foi e poderia ser... Poderia mesmo?
A saudade do que haveria de viver, de sentir; a emoção que ficou pronta pra chegar e não chegou; o abraço que se apagou, o beijo que não sentiu.
Ela acordou de repente e viu que o tempo passou de verdade, que não tinha mais jeito, que nenhuma tentativa frustrada de "flashback" traria de volta o deslumbramento daquela relação fugaz e eterna.
Talvez a melhor saudade seja mesmo essa, que cativa por não estar presa a uma realidade, que concebe o sonho e se realiza num minuto, numa troca de olhares, num gesto que não necessita de nenhuma palavra porque se completa com corpos que já se conhecem, que se comunicam, se atraem e decididamente se atraem em qualquer circunstância.
Ela, que tantas vezes sorriu pra ele, que cantou, que dançou, que marcou a pele, o corpo, a alma; agora ri. Ri porque tornou-se cômico o caso de amor, virou comédia porque antes mesmo de pensar em tragédia mais um sorriso surge, e ela relembra com carinho e sem saudade do que eles foram, do que jamais serão.

Cores (2)

Acordei no breu; às 5 da manhã o céu era azul marinho e as estrelas cintilavam como luzes de Natal.
Na Lagoa a iluminação das ruas, dos prédios, refletia no espelho d'água e o vento soprava pela janela.
Um samba no rádio, tênis nos pés, planos na cabeça. Treino, aula, suor, sorriso; como previamente dito, ajudar na conquista de alguém traz muita satisfação.
O céu passou para o lilás, depois azul claro, amarelo e laranja. Nasceu, cresceu e a brisa permaneceu a soprar, leve, fria e absolutamente adorável.
Foi só mais uma manhã, e mais uma vez descobri a sutileza da possibilidade de metamorfose de uma manhã, de um dia, de uma pessoa.