Gramado verde, uma única árvore digna de filme da Disney bem no alto do monte que se formava ao fundo da cena. Ela linda com seu vestido azul mais claro que o céu girava de braços abertos morrendo de rir da tontura que o rodopio provocava.
De longe, sentado na sombra da árvore ele apenas a observava. Escutava seu risinho juvenil e mesmo sem conseguir definir muito bem suas feições, sabia, era linda! Conseguia apenas ver aquele cabelo de cachos muito negros balançando no vestido azul - podia sentir aquele sorriso.
Ela parou de rodar e se deixou cair na grama. Barriga pra cima, como uma estrela, braços e pernas espalhados, olhos pro céu. Pôde sentir os passos se aproximando - o sorriso despareceu. Pensou estar sozinha, quem seria?
Ele, atraído de maneira irresistível pela imagem turva daquele sorriso levantou-se e decidiu descer o monte. Precisava conhecer a dona do vestido azul e dos cachos cor de graúna.
Ela permaneceu deitada, pensou assim estar escondida na grama que crescia alta. Ele chegava mais perto, lentamente. Para não assustá-la simplesmente pôs-se a rir; achou engraçado o suposto esconderijo que deixava seu vestido azul esvoaçante totalmente visível.
Ela sentou-se indignada, quem ousava afinal rir dela dessa maneira?
Ao vê-lo fugiram-lhe as palavras; os olhares disseram o que a distância de apenas a descida de um monte já havia decifrado. Ele estendeu a mão pra ajudá-la a levantar, ela tentou não sorrir, inutilmente.
Algumas palavras, deram as mãos - ela o convenceu a girar também!
Ela poderia ser só mais uma e se perder no mundo como tantas.
Mas quis ser única e fazer o mundo dele parar de girar por alguns segundos só pra fazer aquele momento acontecer.
Rodopiaram até cair na grama, os dois, de mãos dadas e dedos entrelaçados. Quando imaginariam que uma distância tão curta quanto aquela do monte separaria um momento de solidão de um momento de felicidade tão plena como aquele?
Ela pensou ser menina pra viver cercada de nuvem e sonho.
Mas vendo-se mulher pôde realizar seus desejos e tornar realidade enfim, aquele beijo.
Um cenário perfeito, a princesa, o príncipe. Um conto de fadas.
A pergunta é:
E a vida real, chega quando?
quinta-feira, 30 de maio de 2013
A Porta da Frente
Fechou a porta. Achou por bem trancar dessa vez. Cansou de só deixá-la encostada na esperança de que enfim ela fosse aberta, de que por ela passasse, de que por ela entrasse alguma luz, uma esperança.
Olhou pra chave. Pensou, uma lágrima brotou no fundo do olho, teimava em cair. Apertou forte os olhos, seu semblante mudou, fechou com força a chave na mão. Sabia que se trancasse a porta jogaria a chave fora e aí nunca, nunca mais teria volta.
Abriu os olhos, respirou fundo. Olhando viu na palma da mão a marca dos dentes da chave; ficariam marcados ali por alguns instantes, somente o suficiente pra tomar sua decisão.
Caminhou poucos passos, empurrou a porta, enfiou a chave na fechadura ainda esperando que a campainha pudesse tocar ou que chegasse batendo desesperadamente na madeira maciça pedindo pra abrir. Nada.
A marca dos dentes saiu da mão, hora de trancar a porta. A marca no peito não saiu, não sairá tão cedo. Mas se não há mais jeito, se já não é mais tempo de viver, se o caminho que passa através dessa porta já não leva a lugar nenhum o que fazer senão fechá-la? Deixar uma porta encostada pra sempre impede que a vida siga em frente, impede que outras portas se abram, por simples falta de oportunidade.
Tranca a porta, duas voltas pra não ter mais dúvida. Joga a chave fora, quebra, faz qualquer coisa.
Pela porta da frente não passa mais. Caso um dia queira chegar a esse coração de novo, meu caro, procure outro caminho: outra porta, pule a janela, quebre a parede.
Aqui, meu bem, só mandando fazer outra chave!
domingo, 26 de maio de 2013
Um Cachorro Pra Chamar de Seu
Ah, nós mulheres!
Sempre tentando achar desculpas pro imperdoável, explicações pro que não tem razão. Inventamos compromissos de última hora, celulares no vibracall ou simplesmente com a campainha baixa o suficiente pro sujeito "não escutar tocar", caixa postal lotada e aí não deu pra gravar a sua mensagem, a bateria acabou e ele estava na ilha perdida de Lost e não tinha NENHUMA tomada pra carregar nos 5 dias que se seguiram desde que você ligou, o whatsapp travou e aqueles dois benditos tracinhos que apareceram pra você não apareceram pra ele porque houve um boicote à tecnologia do celular do cidadão; ele odeia a Tim, ou a Vivo, ou a Claro, ou a Oi ( alguém ainda tem Oi?!) porque as mensagens de texto incrivelmente não chegam, não se sabe por que motivo.
Não ria, é assim. E assuma, nós fazemos isso: nós inventamos todo tipo de desculpa absurda e esfarrapada pra não admitir que simplesmente o sujeito não quis atender, não quis retornar, não quis responder, não quis ligar pelo fato de que não era interessante para ele fazê-lo naquele momento. É assim, ele são assim, nós somos assim... Eles mentem, nós fingimos que acreditamos, eles acham que enganam, nós nos irritamos, eles acham que está tudo bem, nós sabemos que não está, eles voltam como se nada tivesse acontecido quando lhes é interessante...
E é aí, é nessa hora que temos que ser fortes! É no momento da "volta do cão arrependido". Sabe aquele vira-lata? Aquele que você pega todo magrinho na rua, abandonado na madrugada, cheio de pulga, maltratado, com fome e frio? Leva pra casa, dá banho, carinho, comida, doa seu tempo e sua energia. Um belo dia é só ver a porta aberta que sai o cão sem-vergonha correndo porta afora e some pela rua de novo. Você chora, se desespera, corre atrás pelas calçadas, pergunta a todos pelo cachorro, fica se perguntando o que fez de errado pro cãozinho que você cuidou com tanto carinho ter fugido desse jeito... Chora mais um pouco e o tempo vai passando...
E aí você lembra da sua mãe dizendo certa vez " - Galinha de casa não se corre atrás!".
Adivinha? Quando você está lá, linda, bela, contente, pronta pra comprar um cachorrinho novo, lindo, com pedigree e tudo, quem aparece? O cão arrependido! Com as orelhas caídas, o rabinho entre as pernas, aquele olhar que conhecemos tão bem. Dá a pata, deita de barriga pra cima pedindo carinho, choraminga - sempre o velho charme.
Seu coração dói, as lembranças do tempo feliz que viveram juntos voltam, o cão conhece tão bem a casa, a rotina, seus hábitos, você... Sabe quando está triste, feliz, quando está chegando em casa, fica bem quando você sai; e além disso, agora você já sabe que se deixar a porta aberta ele pode até ir embora, mas vai voltar.
E é nesse momento que você, mulher inteligente, ignora suas faculdades mentais e se permite enganar, e escolhe acreditar, e prefere não tentar uma coisa melhor. Bate a cabeça na parede até quebrar ( a cabeça!), dá murro em ponta de faca, seca gelo: use a expressão que quiser! Você, mulher, insiste, persiste e não desiste de alguém que simplesmente nem investiu em você, ou investiu de maneira insuficiente.
Acredito que estejamos um tanto fartas de tantos cachorrinhos fofinhos que depois de sugar tudo o que temos de bom vão embora em busca da próxima vítima pra vampirizar.
Pode soar como exagero, mas ora bolas, estou aqui pra falar o que penso assim mesmo, indiscriminadamente. Lê quem quer e se a carapuça lhe servir meu caro, repense suas atitudes e seja uma pessoa melhor!
Queridas e lindas mulheres, por mais difícil que possa parecer, tenham esperança! Em algum lugar nesse imenso canil tem que ter um cãozinho lindo, com pedigree e disposto a ser domesticado, tratado, amado, sem ter que fugir toda vez que a porta for aberta.
domingo, 19 de maio de 2013
Amor, Por Favor, Se Vier...
Amor, por favor, se vier, que venha leve...
De pesado nesse mundo basta esse fardo estranho que insisto em carregar.
Amor, por favor, se vier, que venha breve...
Não tenho mais a pretensão do "pra sempre"; quero viver hoje e agora e que tudo seja tão forte e lindo que amanhã seja tarde demais.
Amor, por favor, se vier, que venha sereno...
Preciso viver essa calmaria de saber que nos seus braços me aninharei pra dormir e com seu "bom dia" acordarei a sorrir.
Amor, por favor, se vier, que venha moreno...
E quando digo moreno falo da sua pele de sol, do seu cheiro de sal, da sua tez molhada de suor. Nada de cor, tudo de adjetivo, moreno é o que me traz a naturalidade de ser livre como eu sou.
Amor, por favor, se vier, que venha pulsante...
Tenho urgência de vida, de energia, de batimentos cardíacos acelerados. Traga consigo as baterias de escola de samba do Rio, a percussão dos trios elétricos de Salvador, traga a alegria que me alimenta a alma.
Amor, por favor, se vier, que venha errante...
Não gosto de gente certinha, que vê o defeito como algo ruim e não como a oportunidade de fazer algo melhor ou simplesmente como algo diferente. Gente perfeita demais é chata e não vive por medo de deixar de ser.
Amor, por favor, se vier, é pra ser amor.
Tô cansada de paixão camuflada de amor, de tesão fantasiado de amor, de amizade querendo ser amor.
Vem com tudo, vem forte, vem arrasando por onde passar, eu aguento!
Prefiro reconstruir meu castelo do que passar a vida toda num palácio de cristal.
De pesado nesse mundo basta esse fardo estranho que insisto em carregar.
Amor, por favor, se vier, que venha breve...
Não tenho mais a pretensão do "pra sempre"; quero viver hoje e agora e que tudo seja tão forte e lindo que amanhã seja tarde demais.
Amor, por favor, se vier, que venha sereno...
Preciso viver essa calmaria de saber que nos seus braços me aninharei pra dormir e com seu "bom dia" acordarei a sorrir.
Amor, por favor, se vier, que venha moreno...
E quando digo moreno falo da sua pele de sol, do seu cheiro de sal, da sua tez molhada de suor. Nada de cor, tudo de adjetivo, moreno é o que me traz a naturalidade de ser livre como eu sou.
Amor, por favor, se vier, que venha pulsante...
Tenho urgência de vida, de energia, de batimentos cardíacos acelerados. Traga consigo as baterias de escola de samba do Rio, a percussão dos trios elétricos de Salvador, traga a alegria que me alimenta a alma.
Amor, por favor, se vier, que venha errante...
Não gosto de gente certinha, que vê o defeito como algo ruim e não como a oportunidade de fazer algo melhor ou simplesmente como algo diferente. Gente perfeita demais é chata e não vive por medo de deixar de ser.
Amor, por favor, se vier, é pra ser amor.
Tô cansada de paixão camuflada de amor, de tesão fantasiado de amor, de amizade querendo ser amor.
Vem com tudo, vem forte, vem arrasando por onde passar, eu aguento!
Prefiro reconstruir meu castelo do que passar a vida toda num palácio de cristal.
Olhando Assim ou Só Uma de Domingo
Olhando assim ao redor vejo só uma fumaça esquisita.
Ela é quase colorida, tem uns tons pastéis e um cheio de algodão doce que acabou de virar nuvem no palito.
Olhando assim pra frente vejo o sol que sempre brilha no final de tudo.
Ele ilumina, aquece, faz florescer, faz morenar, faz serenar meu coração e minha alma.
Olhando assim pra trás, só pra tentar entender o que aconteceu, vejo um caleidoscópio de cores, imagens, sons. Vejo gente que me amou e que amei, vejo a vida que sonhei e não vivi, vejo os momentos que nunca imaginei viver e que me fizeram tão feliz.
Olhando assim pra esse espelho aqui e agora vejo essa mulher tão segura do que não quer, tão ciente do que é, tão sabida de sua verdade, de sua vontade. A mulher que foi construída por pais amorosos, por amigos adoráveis, por amores inomináveis.
Olhando assim pro alto vejo algo maior que me rege e me guia. Tem tantos nomes, tantos credos, tantas verdades. Não importa. Uma força maior me trouxe até aqui. Algo me faz continuar.
Apesar da dor que por vezes ainda passa pelo coração, apesar da saudade estranha que a vida deixou na minha alma, apesar das coisas esquisitas que somos obrigados a ver as pessoas fazerem aos outros. Apesar de tudo isso, algo maior me dá força pra sorrir, pra seguir.
Olhando assim pra essa tela, agora, vejo a esperança dessas palavras chegarem ao máximo possível de corações. Não que eu seja uma pessoa dada a quantidade - longe disso - mas acredito que disseminar coisas boas traz de volta coisas ainda melhores e por que não alimentar de poesia e um pouco de rima a vida tão reta e cheia de prosa do seu dia-a-dia?
Ela é quase colorida, tem uns tons pastéis e um cheio de algodão doce que acabou de virar nuvem no palito.
Olhando assim pra frente vejo o sol que sempre brilha no final de tudo.
Ele ilumina, aquece, faz florescer, faz morenar, faz serenar meu coração e minha alma.
Olhando assim pra trás, só pra tentar entender o que aconteceu, vejo um caleidoscópio de cores, imagens, sons. Vejo gente que me amou e que amei, vejo a vida que sonhei e não vivi, vejo os momentos que nunca imaginei viver e que me fizeram tão feliz.
Olhando assim pra esse espelho aqui e agora vejo essa mulher tão segura do que não quer, tão ciente do que é, tão sabida de sua verdade, de sua vontade. A mulher que foi construída por pais amorosos, por amigos adoráveis, por amores inomináveis.
Olhando assim pro alto vejo algo maior que me rege e me guia. Tem tantos nomes, tantos credos, tantas verdades. Não importa. Uma força maior me trouxe até aqui. Algo me faz continuar.
Apesar da dor que por vezes ainda passa pelo coração, apesar da saudade estranha que a vida deixou na minha alma, apesar das coisas esquisitas que somos obrigados a ver as pessoas fazerem aos outros. Apesar de tudo isso, algo maior me dá força pra sorrir, pra seguir.
Olhando assim pra essa tela, agora, vejo a esperança dessas palavras chegarem ao máximo possível de corações. Não que eu seja uma pessoa dada a quantidade - longe disso - mas acredito que disseminar coisas boas traz de volta coisas ainda melhores e por que não alimentar de poesia e um pouco de rima a vida tão reta e cheia de prosa do seu dia-a-dia?
domingo, 12 de maio de 2013
Dia das Mães
De todas as experiências que vivi
De todas as emoções que senti
De todos os amores que amei
De todas as vezes que senti meu coração acelerar
De todas as maneiras que pensei saber amar
De todo sentido que pensei haver na vida
De toda razão que ali foi perdida
De todos os sentimentos aquele foi o maior
De todos os momentos aquele foi o melhor
De todas as horas e dias
Eu faria minutos pra viver aqueles segundos
Letícia.
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Foi numa tarde de fevereiro, num dia de sol, numa véspera de folia.
Foi uma espera de alegria, foi uma ânsia por um rostinho, por um choro, por uma criaturinha frágil e tão minha.
Foram meses que valeram por anos, foram certezas que passaram por enganos para tantos e que pra mim eram uma coisa só: ELA.
Foi um contentamento, uma vida que cresceu e me trouxe outra vida, outra chance de ser melhor.
Foi Letícia, foi a minha Lelê antes de ser qualquer coisa de quem quer que seja.
Fui mãe antes mesmo de saber o que eu era, e antes mesmo de querer saber eu era dela porque essa era eu dali pra frente, MÃE.
O medo era pequeno diante da alegria de gerar uma vida e à medida que ela crescia aqui dentro alguma coisa maior que tudo me fazia forte, me trazia sorte, me fazia mais, dava à ela a paz.
Ser mãe é se comprometer à doação, ao amor descompromissado consigo em prol de outro ser, é ver de dentro pra fora, é sentir outro coração que não o seu e chorar de emoção.
É comer coisas esquisitas, tomar vitaminas infinitas, dormir mal com uma barriga que parece nunca parar de crescer. É fazer xixi mil vezes, comer doce, salgado, doce, salgado - e nunca saber o que quer comer depois... É uma explosão de hormônios, é uma paixão por um pedacinho de gente, são sapatinhos pra um "bebê-centopéia".
Ser mãe é ter o carinho de rezar pelo seu anjinho todas as noites, de pedir que algo maior e melhor cuide dela por você. É ter aquela imagem nítida dos seus melhores 5 minutos da vida inteira; os 5 minutos pelos quais você viveria tudo de novo só pra ouvir aquele choro, pra ver aquele rostinho tão parecido com o seu e ter certeza que no mundo o seu amor um dia tomou forma de gente.
Fui mãe por tão pouco tempo mas aqui dentro sempre serei. Ela ficou marcada numa cicatriz na pele e na melhor parte da minha alma. Viveria cada dia e cada hora para ter cada segundo daqueles minutos de volta.
Pra quem teve a oportunidade de viver essa experiência mágica, parabéns pelo dia de hoje! Gerar uma vida, dar a uma criança a oportunidade de ter uma vida melhor, dar a um ser humano a dádiva de ser mãe; são realmente presentes de Deus. Acredito que devamos apenas agradecer: como filhos, como mães. Somos abençoados o tempo inteiro com a oportunidade de termos compartilhado de momentos de amor, de afeto, de carinho, de cumplicidade incomparáveis!
Feliz Dia das Mães!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
NO CIRCO TEM PALHAÇO, TEM, TEM TODO DIA!
E quando você acha que já viu de quase tudo nessa vida , que já conheceu todo tipo de gente - dos mais legais aos mais idiotas - vem o mundo e lhe a presenta mais um palhaço de circo!
Mas esse não é um palhaço qualquer, minhas senhoras e meus senhores! Esse é aquele palhaço dono do picadeiro, o imponente, o que comumente ri da cara do outro palhaço, inocente. Afinal de contas eles sempre trabalham em dupla, ou em trio. Por vezes em grupo maiores, mas duplas e trios se formam pro show ficar de mais fácil compreensão.
Ele chega sempre mais colorido, mais chamativo, vestindo o maior e melhor sorriso - geralmente sarcástico. O inocente vem com cara de bobo e tenta, à sombra do outro, agradar, se fazer notar.
O grande palhaço chuta o outro, puxa sua cueca, ri da sua dor quando ele cai no chão; bate palma e acha graça de sua inocência e vê sem tomar qualquer ciência do que ocorre a seu redor. Ele apenas enxerga o que lhe convém, nada que vá além pra ele tem valor. O inocente, o verdadeiro, é bobo; e quando pede socorro, é vaiado até sentir dor.
O imponente não desce de seu pedestal, dono de tudo e do mundo comanda seu circo, manda no picadeiro. Entrega flores a mocinhas sorridentes da platéia, , tira a cartola pra senhores não tão imponentes assim ( rindo por dentro, sempre se considerando mais e melhor.). Gesticula, rodopia, veste sorrisos.
O inocente, sempre considerando-se menos, segue seus passos e por vezes toma cutucões, tapinhas no "pé da orelha": "- De leve, só pra ficar esperto!" diz o grande palhaço! Fala e faz tudo o que considera engraçado, tudo o que o fizer gargalhar junto à platéia.
Ao final de seu número, quando sua apresentação vai perdendo a graça, o inocente ri e o grande cai em desgraça! Geralmente tropeça em suas próprias pernas, antes pedestais para sua onipotência. Cai e se machuca ainda mais que qualquer outro pois quanto mais alto o coqueiro, mais alta é a queda, não é assim que se diz?
De lá de cima ria de todos aqui em baixo, considerava tudo tão pequeno e engraçado; eram piadas sem fim às custas de infelicidade, sofrimento, dor...
Agora, no chão, como qualquer mortal; vê-se com a cara cheia de poeira do picadeiro, sua cartola voou pra longe, seu sorriso marcado sumiu. Seu olhar agora enxerga as pessoas verticalmente e seus ouvidos escutam não risos mas gargalhadas. Crianças pulam, mocinhas apontam, senhores debocham de sua queda ridícula, boba, sem qualquer razão.
O inocente dá voltas em torno dele, observa. Estende a mão e o ajuda a levantar. Juntos agradecem ao público e finalizam o show. Passam para trás das cortinas.
São iguais. Fazem show para arrancar sorrisos. Fingem, enganam. Um mocinho, outro bandido. Tem melhor, tem pior?
Não passam de palhaços, senhoras e senhores, nunca passarão! É assim que querem ser vistos e lembrados: por números de circo, por quedas, chutes, ponta-pés, por truques bobos para enganar mocinhas igualmente bobas; fazer rir por piadas pouco inteligentes...
Fora do picadeiro não são de nada, não valem nem a marmelada!
Mas esse não é um palhaço qualquer, minhas senhoras e meus senhores! Esse é aquele palhaço dono do picadeiro, o imponente, o que comumente ri da cara do outro palhaço, inocente. Afinal de contas eles sempre trabalham em dupla, ou em trio. Por vezes em grupo maiores, mas duplas e trios se formam pro show ficar de mais fácil compreensão.
Ele chega sempre mais colorido, mais chamativo, vestindo o maior e melhor sorriso - geralmente sarcástico. O inocente vem com cara de bobo e tenta, à sombra do outro, agradar, se fazer notar.
O grande palhaço chuta o outro, puxa sua cueca, ri da sua dor quando ele cai no chão; bate palma e acha graça de sua inocência e vê sem tomar qualquer ciência do que ocorre a seu redor. Ele apenas enxerga o que lhe convém, nada que vá além pra ele tem valor. O inocente, o verdadeiro, é bobo; e quando pede socorro, é vaiado até sentir dor.
O imponente não desce de seu pedestal, dono de tudo e do mundo comanda seu circo, manda no picadeiro. Entrega flores a mocinhas sorridentes da platéia, , tira a cartola pra senhores não tão imponentes assim ( rindo por dentro, sempre se considerando mais e melhor.). Gesticula, rodopia, veste sorrisos.
O inocente, sempre considerando-se menos, segue seus passos e por vezes toma cutucões, tapinhas no "pé da orelha": "- De leve, só pra ficar esperto!" diz o grande palhaço! Fala e faz tudo o que considera engraçado, tudo o que o fizer gargalhar junto à platéia.
Ao final de seu número, quando sua apresentação vai perdendo a graça, o inocente ri e o grande cai em desgraça! Geralmente tropeça em suas próprias pernas, antes pedestais para sua onipotência. Cai e se machuca ainda mais que qualquer outro pois quanto mais alto o coqueiro, mais alta é a queda, não é assim que se diz?
De lá de cima ria de todos aqui em baixo, considerava tudo tão pequeno e engraçado; eram piadas sem fim às custas de infelicidade, sofrimento, dor...
Agora, no chão, como qualquer mortal; vê-se com a cara cheia de poeira do picadeiro, sua cartola voou pra longe, seu sorriso marcado sumiu. Seu olhar agora enxerga as pessoas verticalmente e seus ouvidos escutam não risos mas gargalhadas. Crianças pulam, mocinhas apontam, senhores debocham de sua queda ridícula, boba, sem qualquer razão.
O inocente dá voltas em torno dele, observa. Estende a mão e o ajuda a levantar. Juntos agradecem ao público e finalizam o show. Passam para trás das cortinas.
São iguais. Fazem show para arrancar sorrisos. Fingem, enganam. Um mocinho, outro bandido. Tem melhor, tem pior?
Não passam de palhaços, senhoras e senhores, nunca passarão! É assim que querem ser vistos e lembrados: por números de circo, por quedas, chutes, ponta-pés, por truques bobos para enganar mocinhas igualmente bobas; fazer rir por piadas pouco inteligentes...
Fora do picadeiro não são de nada, não valem nem a marmelada!
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