Confete, serpentina, água mineral, água de mangueira, água de gelo do isopor.
Música alta, música de bandinha, carro de som, trio elétrico, bateria de escola de samba, orquestra.
Pés descalços, pés de Havaianas, pés de sapatilha, pés de tênis, pés de sandália, pés de gente.
Colombinas, índios, bailarinas, palhaços, ciganas, super-heróis.
Criança, adulto, velhinho, bebês e até cachorros e gatos.
Na rua, na praia, na calçada, no asfalto, no parque, na praça, no metrô, no ônibus.
É em fevereiro mas começa assim que a festa junina acaba. O ano todo é carnaval.
Sonhamos com fantasia, com uma por dia. Queremos sorrisos, preferencialmente sem juízo.
Deixamos a alma descansar por 4 dias e saímos por aí com o corpinho a bailar.
Ansiosamente esperamos 361 dias por 4 de folia.
Com os olhos cobertos de sonho ficamos amigos de todos, amamos por horas uma pessoa que acabamos de conhecer, iludimos e somos iludidos pelo possível e improvável "pós-carnaval".
Tem amor que é pra subir a serra e não tem tempo nem distância que dê jeito. O universo conspira e quando você vai perceber já está enlaçado.
Tem gente que veste fantasia pra se libertar, tem gente que se esconde pra ser o que não pode ser.
Tem gente que vive, sonha, corre na frente pra não perder a chance. Se joga no mundo, vai fundo! Cai no banco comendo um sanduíche, faz vergonha voltando pra casa e ainda assim é apaixonante!
Tem gente que mora longe, tem gente que tem família complicada, tem gente que é mimada.
Tem todo tipo de gente, afinal, é carnaval!
Como um milagre tem amor que dá certo, que funciona, que rompe essa barreira. Que na primeira oportunidade faz tudo errado mas que na segunda quer tanto, tanto que funcione que ganha, leva pra casa e não solta nunca mais.
E pra gente o que importa mesmo é o que sobrevive, que constrói a sua verdade, que tira a fantasia, reencontra sua alma e apresenta pra alma do outro.
É gente assim que vive 365 dias feliz, e não 4.