quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hoje é meu dia!

Hoje é um dia de agradecimento. 
Dia de felicidade, dia de sorrisos.
Hoje é um dia de renascimento.
Dia de abraço, de beijos.
Hoje é um dia de lembrança.
Dia de saudade, de reviver.
Hoje é um dia de esperança.
Dia de sonho e alvorecer.

Hoje é o meu dia!
Nasci, trouxe alegria, choro, fralda, trabalho.
Cresci, preocupação, castigo, noites sem dormir.
Amadureci, conversas, orgulho, perfis iguais.
Hoje sou mais.
Aprendi, bati cabeça, sofri, chorei.
Voltei a sorrir, cercada de carinho, cuidado, respeito.
Gargalhei de doer a barriga, amigos, minha maior riqueza.
Me apaixonei, fiz apaixonar, amores de verdade tão poucos.
Hoje 30 anos depois...
Cheguei nesse mundo e ainda tenho tanto pra fazer.
Aproximadamente 1/3 da minha vida se completa hoje; aproximadamente porque pretendo chegar aos 100 ( herança de família!).
Hoje é dia de agradecer, celebrar, comemorar a vida!
A todos os que estão comigo, sempre, no coração antes e apesar de qualquer coisa,

OBRIGADA!





sábado, 20 de outubro de 2012

Frescobol

Era só mais um sábado de sol. A praia relativamente tranquila, espaço na beira d'água pro frescobol aguardado a semana inteira!
Chegaram: cadeiras de praia, cangas estendidas, areia quente nos pés. Óculos escuros, cabelos ao vento, pele devidamente preparada para curtir ao sol.
Raquetes e bolinha na bolsa, prontas para O JOGO! 
Mergulho no mar gelado, alma limpa e pronta pra brincar. Se olham, suas almas já conversam, cochicham, sorriem. Eles ainda nem sabem mas já estão em conexão...
"Vamos jogar?" - pergunta. 
"Por que não?" - responde.
Raquetes a postos, vão pra beira d'água, só o final das ondas, leves espumas molhando os pés.
Distanciam-se somente o suficiente pro JOGO, mais uma vez se olham, se observam um pouco mais.
"Pronta?" - ele sorri.
"Mais que você, certo!" - ela quase gargalha num riso expressivamente aberto.
Bola pra cima, bate na raquete; num vai e vem ela oscila de um lado ao outro. 
Esse é um jogo de vencedores, ou todos ganham ou todos perdem. A ideia é que a bolinha não vá ao chão, que os olhos não se desgrudem um minuto do movimento do outro, que cada gesto, cada rebatida seja acompanhada por uma reação adequadamente colocada.
Jogar frescobol é pra quem realmente está preparado. Não é qualquer um que aceita dividir a vitória, que aceita O JOGO  pelo simples prazer de jogar, que enxerga no rebater muito mais que um ataque, mas uma vontade imensa de interagir, de sentir o vai e vem, o ir e voltar da bolinha. É colocar em cada meneio um sentir, um viver, um explodir de emoção. É ter o domínio da ação e controlar a reação de maneira que cumprindo as leis da física sejam iguais em força, em vontade, em verdade.
Cai a bolinha, eles riem. Se abaixam juntos pra pegá-la, a morosa marola a carrega com facilidade enquanto fitam-se encantados por alguns segundos. Alguém grita: "Oi, olha a bolinha!" e distraídos percebem o mar, o sol, a areia, a raquete... Ah, a bolinha, afinal!
Vem voando ao ser lançada. Ele salta e com destreza a alcança no ar, numa demonstração máscula de poder e capacidade (como não podia deixar de ser!).
Ela parada, sentindo apenas as marolinhas que vêm e vão sorri, boba e dispersa. 
Ele vem, quase em desfile, com o riso de canto de boca, cabelos molhados, corpo brilhante de sol e suor.
Não trocam nenhuma palavra. Disseram tudo o que precisavam no JOGO. Talvez queiram dizer mais, mas nesse momento a vontade é suplantada pela necessidade.
Num instante estão sós: não há gente, burburinho, o silêncio é apenas interrompido pelas ondas que quebram maliciosamente harmônicas. Melodiavam as ondas, os olhos, as mãos, os corpos, as bocas.
Inevitáveis: O JOGO, O BEIJO, O MAIS.

E aí, quer jogar?





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Seja!

Uso as palavras porque assim me decifro.

Passo através dela meus mais sinceros desejos.
Aprendi com o tempo a ser direta, reta: quero, sem mais.
Cada uma das palavras escritas revela uma parte de mim que talvez nem eu mesma saiba que existe. Me revelo por aqui e por ali, me segredo me revelando e conquisto a minha deusa interior, tão na moda nos dias de hoje.
Considere-se um privilegiado ao fazer parte do que publico! Não tanto pelo sucesso das minhas palavras soltas no mundo, ah, não! Mas pela verdade do meu espírito quando pensa e se move através dos dedos, quando lhe considera tão vitalmente importante que inevitável se faz escrever e descreve sobre a emoção que me causou.
Disseram-me há pouco que sou forte; fiquei pensando... Sou o que batalhei e ainda batalho pra ser; é uma luta por dia! A força vem do amor dos que me cercam, da certeza do que eu quero pra mim, do sentimento incomensurável de ser e fazer feliz.

Abuso das palavras porque assim me modifico.

Metamorfose ambulante, perigo constante! De lua, de sol, de mar. Me movimento como as marés; por vezes cheia por vezes rasa - mas sempre pronta a causar diferentes emoções a quem vê, a quem sente, a quem passa simplesmente.

Brinco com as palavras porque com elas me identifico.

Seja uma poesia na minha vida! Seja um verso, seja uma linha, uma palavra! Seja um sorriso na lembrança de um momento, seja o motivo de mais um pensamento. Seja um sonho, seja um caminho pra sentir mais e mais.
É com você mesmo, acredite! É com você que estou falando... Não é a quantidade de tempo, não é a longa história. É o olhar profundo, o sorriso congelado de doer de tão bom, são os corpos falando muito mais alto que qualquer um de nós sequer pensou.
É um batuque, é um arrasta-pé; é mais que uma vontade, um desejo.
Seja o que quiser, mas seja meu!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Acordeom

Uma leve névoa no ar.
O acordeom tocava firme e forte, os pés se arrastavam no chão formando desenhos de sedução e da candura própria da dança, seja ela qual for.
Sorrisos velados, dedos entrelaçados, caracóis dos cabelos negros se misturavam.
Um leve arrepio, a respiração ofegante na nuca, o ir e vir de pernas e quadris a bailar.
Não pensavam em nada, apenas se desejavam. Nada além, sem mais.
Fitaram-se, sabiam: era inevitável.
Palavras, tantas. Histórias, tantas mais.
Beijo, abraço - a névoa constante.
A energia imensa contida naquele instante, a verdade daquele gesto, a vontade daquele olhar.
Trocaram a dor e o prazer.
A névoa se manteve, do começo ao fim.
O acordeom, teimoso, ainda toca.
Ah! Os caracóis dos nossos cabelos...