segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Eu uso tênis!

Assisto como espectadora que sou a loucura das noites cariocas.
São lindas mulheres perfeitas de saias coladíssimas (ou seriam cintos?), blusas de seda brilhantes com mangas esvoaçantes mostrando por baixo de sua leveza os sutiãs de renda. São saltos altos, muito altos! Pernas que torneiam a cada passo dado - um passo pequeno, é só o que a saia "a vácuo" permite. 
São os cabelos lisos e longos, as franjas milimetricamente cortadas e escovadas mil vezes até ficar no ângulo correto entre o olho e a orelha. Brincos brilhantes, pulseiras berrantes e agora ainda veio essa coisa dos " maxi colares"... 
Onde vamos parar, afinal, antes de virarmos Árvores de Natal? 
Lindas, quanto mais altas e enfeitadas melhor. Imóveis, paradas para a admiração dos que passam. Brilham quando ligadas à tomada, ao apagar das luzes. Não tem movimento, só veneração. 
Com as luzes acesas viram um monte indecifrável de informação, galhos artificiais, plástico retorcido enfeitado com tanta coisa que a simples beleza do Natal fica perdida nem se sabe onde.
As mulheres já não falam. Fazem caras e bocas, jogam os cabelos de um lado pro outro, requebram os quadris. Retocam o batom e o rímel. Quando muito, sorriem levemente - jamais um sorriso sincero. Sorrir demais parece borrar a maquiagem. 
Dançar? E correr o risco de suar e desfazer o cabelo perfeito? Jamais!
Fico me perguntando que felicidade montada é essa que precisa de luzes de Natal, que precisa de tanta artificialidade. São vistas e admiradas sem dúvida! São desejadas pelo que mostram, mas o que são?
Quem são mesmo essas mulheres que perdem sua personalidade buscando a aceitação do outro ( ou das outras...)?
Quem é você que não sabe do que gosta porque simplesmente não se permite experimentar outra coisa que não o que todo mundo usa, o que todo mundo gosta, o que todo mundo faz?
Cada dia tenho mais certeza de que sou um E.T. Acho graça da minha inabilidade para os saltos que cismei em comprar, para os lindos e sexy vestidos. Coloco e tiro mil vezes e no final acabo sempre no tênis bacana, na rasteira, no vestido soltinho com um estilo que é só meu.
Me diverte sair pra onde nunca vou e me sentir completamente diferente: acho bacana mesmo!
Sou única num mundo de iguais: tenho cabelo curto e enrolado, uso maquiagem normal ( o necessário pra ficar "feliz"), short e tênis fazem parte do meu guarda-roupa DEFINITIVAMENTE. 
Por fora sou indecifrável; um reflexo da eterna indecisão que vive dentro de mim.
E do que é que eu estava falando mesmo?



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Palavras Minhas

Como falar de mim sem retratar a nudez emocional que revelo?
São tantas as maneiras: no olhar, nos gestos, nas palavras...
Ah! As benditas ( ou malditas, quem saberá?!) palavras!
Essas sim me desnudam cada vez que escrevo. 
Não sei ser de outro jeito. Vivo com o fervor do último minuto cada acontecimento.
Dou até minha última gota de suor, mostro minha alma, cedo meu corpo.
Não, não sou uma louca  passional; longe disso.
Cheguei a ouvir ontem de alguém que muito me importa que estou racional demais, dá pra acreditar?
São os anos, são as experiências, são as pessoas que vêm e vão com a rapidez de flechas atiradas no alvo. 
Foram as paixões e as loucuras a que me levaram, foram os "pra sempre" que sempre tiveram fim mas que ficarão marcados nos meu corpo e na minha alma.
Tatuei histórias de amor verdadeiro... Abro um sorriso tenro, quase juvenil pensando em cada uma delas.
Fui filha, fui mãe, fui irmã, fui tia, fui neta, fui amiga, fui namorada, fui mulher, fui amante; mas acima de qualquer coisa fui amada!
E qual não é minha felicidade hoje ao me dar conta de que depois de tanto tontear buscando a infinitude do amor perfeito, da paixão avassaladora; me encontro aqui e agora, plena e satisfeita comigo mesma, com minhas palavras, com a expressão sincera e humilde dos meus sentimentos.
As palavras são minhas, essas ninguém me tira, o mundo não leva, esse amor não acaba e essa paixão de escrever é incondicional.
Me mostro, me dispo, me emociono, choro ao pensar no que colocarei no papel.
Espero de você, pessoa que me lê, apenas um toque. 
Que as minhas palavras lhe toquem, lhe dispam, lhe mostrem a essência não só do que parece, mas do que é.


 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fazia frio

Fazia frio. Uma noite daquelas que pede algo mais.
Cada um no seu espaço, confabulavam com seus próprios pensamentos; ainda não sabiam mas já queriam um ao outro.
Uma parede, apenas uma parede os separava. 
Ela, imersa numa banheira quente, um livro à mão, uma garrafa de vinho e muito desejo.
Ele, corpo estirado na cama, cabeça voando no espaço, uma tv ligada, os sentidos adormecidos.
Pensamentos que de alguma forma se cruzaram, energia vibrante, pulsante, maior que a parede que os separava.
Um toque de telefone, palavras soltas, convites subentendidos e plenamente aceitos.
Cheiro de perfume no corredor, música alta pra fazer movimentar o corpo e a alma. Expressões de um humor ácido pra fazer rir e provocar, risadinhas de canto de boca, olhares que já se têm e ainda não sabem.
Mais vinho, agora a dois ( mas não a sós...). Histórias, contos, casos, decepções, felicidade, opiniões distintas ( o que seria do azul se todos gostassem do verde?). A leveza da embriaguez, a sutileza do cruzar de olhares.
Fazia frio, ela cruzava os braços à procura do abraço. Ele veio, pela nuca, ponto fraco ( ou forte?!), a respiração ofegante ao ouvido, o roçar leve da barba que cresce, corpo aos saltos mas imóvel.
Vira; mãos na cintura, pega, puxa, beija! 
Fazia frio, um vento quase glacial os levou de volta. A parede não mais os separa. Não há mais sentido adormecido: todos despertos, espertos, vívidos, aguçados. 
Roupas pelo chão, sussurros pelo ar, feições de júbilo: o tempo parou.
Fazia frio. Uma coberta, 2 corpos enlaçados.
Boa noite!