Fazia frio. Uma noite daquelas que pede algo mais.
Cada um no seu espaço, confabulavam com seus próprios pensamentos; ainda não sabiam mas já queriam um ao outro.
Uma parede, apenas uma parede os separava.
Ela, imersa numa banheira quente, um livro à mão, uma garrafa de vinho e muito desejo.
Ele, corpo estirado na cama, cabeça voando no espaço, uma tv ligada, os sentidos adormecidos.
Pensamentos que de alguma forma se cruzaram, energia vibrante, pulsante, maior que a parede que os separava.
Um toque de telefone, palavras soltas, convites subentendidos e plenamente aceitos.
Cheiro de perfume no corredor, música alta pra fazer movimentar o corpo e a alma. Expressões de um humor ácido pra fazer rir e provocar, risadinhas de canto de boca, olhares que já se têm e ainda não sabem.
Mais vinho, agora a dois ( mas não a sós...). Histórias, contos, casos, decepções, felicidade, opiniões distintas ( o que seria do azul se todos gostassem do verde?). A leveza da embriaguez, a sutileza do cruzar de olhares.
Fazia frio, ela cruzava os braços à procura do abraço. Ele veio, pela nuca, ponto fraco ( ou forte?!), a respiração ofegante ao ouvido, o roçar leve da barba que cresce, corpo aos saltos mas imóvel.
Vira; mãos na cintura, pega, puxa, beija!
Fazia frio, um vento quase glacial os levou de volta. A parede não mais os separa. Não há mais sentido adormecido: todos despertos, espertos, vívidos, aguçados.
Roupas pelo chão, sussurros pelo ar, feições de júbilo: o tempo parou.
Fazia frio. Uma coberta, 2 corpos enlaçados.
Boa noite!
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