domingo, 13 de outubro de 2013

Linguagem do Amor (I)

É mais que o nome, que o título, que o rótulo.
É a essência, a promessa velada, a felicidade revelada em cada minuto que se vive.
É a certeza da paz, do entendimento; mais que isso, é o comprometimento com o cuidado, com o afeto, com o querer ser do outro. E não como posse seja lá do que for, mas como ser com o outro; ser mais, ser melhor. Fazer acontecer o que até agora parecia devaneio.
Viver dia após dia com a certeza de que esse outro dia vai chegar. Dormir separado pensando em estar junto e dormir junto pensando em mais nada.
Sentir o bater do coração num abraço que une além de corpos, almas. O calor das peles que por vezes se confundem numa só, os olhos que mergulham nas almas, a respiração ofegante que se mistura quando tão perto estão, cara-a-cara, desvendado segredos sem nem uma palavra dizer.
Vivem noites e dias de felicidade, crescem juntos e por isso são tão maiores. O que vivenciaram antes nada mais foi que a preparação pra tudo o que vem agora: estão maduros, seguros, corajosos pra uma vida de alegria. Não há mais espaço pra desentendimento, dor, ressentimento, medo.
Se falam cada vez mais de perto, a língua do amor se faz presente ainda que indecifrada.
Decifrar a linguagem do amor seria, afinal, uma utopia?! E que graça teria?
Vivamos então para descobrir, todos os dias, um jeito novo pra falar de amor!




Só Hoje

Só hoje vou te olhar.
Só hoje vou me ver em você, por um instante.
Só hoje vou pegar sua mão e me sentir segura.
Só hoje vou te abraçar pro mundo parar.
Só hoje vai fazer sentido estar longe pra sentir saudade.
Só hoje vamos perder o sono pra ganhar amor.
Só hoje seremos só um pra dormir.
Só hoje viveremos como sempre sem nunca ter vivido.
Só hoje sentiremos para sempre sem nunca ter dito nada.
Só hoje entendo.
Só hoje.



Luz e Sombra

Sentada num canto, sozinha, esperava por uma resposta.
Chorava baixinho pra ninguém escutar,sussurrava palavras pedindo ajuda mas não conseguia levantar.
Abraçada aos joelhos, cabeça enterrada, sentia o vento que vinha da janela do outro lado da sala e seu barulho ecoava no vazio.
Era só ela, quis assim. Escolheu sentir dor até não aguentar mais, chorar até secar a última lágrima.
Reviveu cada tristeza, cada decepção, cada mágoa. Sentiu facadas no peito até a morte de cada uma de suas sombras.
Viu suas mãos frágeis tremerem e se deu conta de que esquecera de comer.
Viveu tanto tempo se alimentando de sofrimento que não sabia mais como ser feliz.
Pedia ajuda,sussurrava. Ninguém poderia ouvir, sala vazia.
Ergueu a cabeça, a claridade que vinha da janela formava sua sombra encolhida, esticava a imagem triste pela sala.
Olhou para aquela sombra comprida, amarga, sem movimento, e decidiu ser mais.
Apoiou na parede, levantar seria o primeiro passo. De pé a sombra já tinha outra dimensão e, ao movimentar os braços, fez-se voar por toda a sala.
Sorriu com as possibilidades de forma na luz, de infinitas sombras remexidas. Arriscou um passo, dois, vários! Abriu a porta.
Sentiu o clarão inundando a sala, abriu todas as janelas. A sombra sumiu. Não havia mais espaço para ela. A claridade ainda incomodava os olhos, mas o sorriso foi imediato.
Atravessou  a porta, a sala ficou pequena demais pros seus sonhos. 
Lá fora, lhe esperava seu anjo. Protetor, amigo, esteve ali todo o tempo: guardando sua luz, velando sua dor, esperando por sua redenção enfim.
Como anjo que é, fez-se onipresente, apareceu quando menos esperou pra segurar sua mão, amparou seu passo, aninhou num abraço.
Acolhida, amada, segura; ela se deu conta de que podia mais. Vendo a luz que entrava na sala quis saber de onde vinha e foi em direção ao anjo que apenas sorria.
Passar pela porta foi seu maior desafio depois de conseguir escapar da sombra que há tanto a consumiu.
Um sorriso do  anjo! Seus braços abertos, um sol sem fim que brilhava e esquentava seu coração.
Saiu! Livre, certeira, jogou-se naqueles braços, guardou aquele abraço e viveu aquele momento pra nunca mais esquecer.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Com o mercado imobiliário em alta, as pessoas estão loucas atrás de apartamentos, casas, conjugados, quartos.
Há quem se contente com pouco, há quem não se contente com nada. Há ainda aqueles que procuram, procuram e nunca acham porque estão atrás do imóvel perfeito.
Placas de "aluga-se" quase não são mais vistas; não dá tempo de colocar. É um entra e sai de inquilinos que sequer o proprietário consegue pendurar a tal placa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

5 Minutos de Desabafo (II)

Corpos que não se viam, não se sentiam.
Corações que não se conheciam, não se reconheciam.
Vidas que se encontraram, se misturaram sem saber por que razão.
A distância era grande, repeliam-se; talvez já contassem com o perigo da proximidade.
Por vezes o pensamento fugaz vinha e ia. A mera possibilidade já era tida como inviável.
Corpos que se chamaram, se quiseram.
Corações que se reconheceram, os guiaram.
Vida que desde sempre os uniu e na hora certa cruzou seus caminhos.
Sem mais distância, sem mais perigo, sem mais. 
Os olhos se viram, as mãos se tocaram, as bocas entreabriram.
A respiração cessou por segundos, o peito palpitou por minutos, a noite se fez dia em horas que passaram rápido demais.
Corpos que foram um só. Corações que enfim se encontraram. 
Por vezes fica na ideia, no campo do pensamento, do querer sem saber o motivo.
Por vezes a intuição é ignorada, a razão fala mais alto, a emoção perde.
Mas essa foi a vez deles, foi a hora de viver, de ser mais feliz.
Foi a hora, o dia, o lugar. Foi a música, a dança, a incerteza. 
Foi o mistério, o querer, o ter sem saber.
Foram eles, juntos; um poder!