segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Muito Mais

Escreveu, apagou.
Pensou, meditou, respirou fundo.
Fugiu das palavras como quem corre do perigo.
Sabia que ao colocar na tela colocaria também no peito.
A pressão da vontade foi maior.
Ouvia os sons na sua cabeça cada vez mais altos, conseguia ver cada parte daquele sorriso sem sequer fechar os olhos.
Oscilou entre negar e desacreditar; escapou por algumas horas do inevitável.
Olhou mil vezes pra tela vazia.
Acreditou que conseguiria, riu como se fosse brincadeira e fechou o computador.
As horas passaram, o dia se foi.
Músicas foram e vieram, todas sem excessão levaram ao mesmo lugar.
Um pensamento fixo, um desejo irrefreável.
Sem ter como nem por que tomou posse do corpo, da alma, da cabeça e de tudo o que viu pela frente!
Foi mais forte, mais rápido, foi mais!
Com tanta voracidade se apoderou, tomou conta, puxou, prendeu, levou.
Não sabia por onde tinha começado, não tinha ideia de como terminaria - ou se já tinha terminado.
Precisava escrever, precisava tirar tudo aquilo de dentro, colocar pra fora, pro mundo, pra vida.
Jogar no vento, no tempo, no espaço!
Libertou-se por alguns minutos, leveza repentina.
Olhou pra tela cheia: letras, pontos, vírgulas; palavras, sentimentos, momentos.
Identificavam a loucura do que ainda não tinha sido, a vontade do que é, o desejo do que viviam tão inesperadamente.
Tudo ali eram eles.
Tudo ali era deles.
Tudo ali seria mais, MUITO MAIS.





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Misturou-se na multidão e partiu.
Era só mais uma noite, só mais um dia, só mais uma lágrima que corria.
Não levaria consigo a dor, a teimosa dor que insistente ainda corroía por dentro fazendo o coração se contorcer.
Deixou pra trás a dança, a música, os pés que se cruzaram por tantas vezes naquele chão riscado. 
Abandonou o cheiro, os caracóis dos cabelos. Quis livrar-se do sorriso, do verde brilhante refletido dos olhos no sol. 
Correu enquanto pôde sem olhar para trás, sentiu o ar faltar, o corpo tremer sem força pra continuar.
Viu a paixão ruir, o medo aparecer e sumir. 
As lágrimas ainda rolaram, três ou quatro, vai saber... Só por ironia aquela canção feliz ficou triste e o que ela cantoria virou uma melancolia chata.
Despiu-se da dor, colocou sua fantasia e se jogou no mundo. Pintou o rosto - Afinal que palhaço é esse sem sua máscara?
Pulando e correndo com seus iguais foi: todos na mesma fantasia, na mesma alegria forjada. 
Criar a verdade da cor e do riso, do batuque e do sol carnavalesco, foi assim que se curou do que era bem e tornou-se mal.
Podia ter sido tudo mas por preferir ser nada foi coisa alguma.
O nexo ficou em alguma parte perdida que agora, sentida, nem a si quer achar.
Pra que bom senso, preservar-se, ter medida, impor limite?...
A falta de