Como se não fosse nada veio aquele filete de água por entre os grãos minúsculos de areia.
Formou-se uma pequena vala, a água a fluir aumentava sua quantidade e a intensidade com que corria.
Ao longe, bem distante, via-se o mar com seus mitos tons - mas ali, no meio do nada, eram ó areia e um filete de água.
A pequena vala tornou-se uma fenda à medida em que a água, cristalina e salgada, jorrava mais e mais.
A areia, sucumbindo à força da água que chegou de mansinho, foi se moldando, se adaptando; foi tomando outra forma para abrir espaço para essa nova força que surgia tão transparentemente viva a rolar, fluir, a conduzir a um novo destino, talvez...
Areia e água cada vez mais misturadas tornaram-se elementos concomitantes daquele sistema de energia fluida que se organizava bem ali, às margens da vista de um mar tão longe que agora estava incrivelmente perto.
Grãozinhos de areia bailavam alegres sob o fluxo da água salgada que remexia o fundo e bagunçava os sedimentos que há tempos estavam intactos, quase petrificados.
A água trouxe à areia a leveza de seu movimento, a sutileza de sua passagem constante e progressivamente intensa.
A areia deu à água um caminho a seguir, um destino pra onde ir, uma meta pra conquistar.
O bom de tudo é, afinal, não o que se completa pois para se doar há que ser inteiro antes de tudo. O bom mesmo é ser exatamente o que se é e poder renascer, crescer, conviver e ser mais feliz, sempre!
terça-feira, 19 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
O Barquinho
Começou na madrugada de breu e sons, na manhã de sol. Seria só mais uma tarde.
O mar: agitado, revolto, ondas fortes, vento incontrolável.
O barco: tão pequeno, frágil, madeira e tinta ainda frescas; nem nome tinha mas sabia, era muito, era mais.
Oceano de tristeza cerca o barco. Inocente, não sabia onde estava entrando quando saiu do porto, faceiro e novato a navegar.
.........................................................................
Empurrado da areia da praia, âncora leve, viu no horizonte um céu claro, um sol a brilhar no fundo e sem pensar pôs-se a navegar.
Marolinhas colocavam o barquinho oscilante cada vez mais longe da praia, tornando sua volta mais difícil e tardia.
Dias e noites de muitas palavras, de sorrisos e olhares indagadores, de risos e semblantes sedutores.
À espera da tempestade, mesmo sem saber, o barco seguia.
Algumas nuvens começaram a se formar no céu, a brisa que antes soprava tornou-se vento forte, quase uivante.
Assustado pela velocidade dos ventos e a voracidade da formação das ondas, o barco compacto e tremelicando sentiu-se menor ainda do que já era. Lutou para manter-se marinheiro. As ondas cresciam, assustavam à medida que batiam, fortes e esmagadoras em seu casco tão sensível.
No silêncio dos sorrisos ouvia-se só um tropel de vento, madeira retorcendo e ondas furiosas a quebrar.
O incrível amor pelo horizonte fez o barco persistir; não abriria mão de chegar onde quis chegar ao sair daquela praia, ao subir sua âncora, ao sentir a areia ficar no fundo do seu casco e sumir, afundando no mar azul.
O barquinho frágil se viu forte, reuniu o que podia de seus escassos recursos e decidiu enfrentar a tempestade que furiosa assolava céu e mar.
Ao seu redor um universo de dor, tristeza, devastação. Dentro dele todo o amor do mundo, toda a vontade, todo o desejo de um final feliz, de uma luz, de um pôr-do-sol laranja no horizonte, afinal.
Acreditava e era sua fé que o fazia atravessar a tempestade.
Noite pós noite a tempestade se manteve.
Depois veio o silêncio, aquela calmaria inquietante.
À espera de um milagre, à deriva estava o barco. Sozinho, perdido, largado num mundo de água azul.
Perdeu-se ali, querendo se achar.
O mar: agitado, revolto, ondas fortes, vento incontrolável.
O barco: tão pequeno, frágil, madeira e tinta ainda frescas; nem nome tinha mas sabia, era muito, era mais.
Oceano de tristeza cerca o barco. Inocente, não sabia onde estava entrando quando saiu do porto, faceiro e novato a navegar.
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Empurrado da areia da praia, âncora leve, viu no horizonte um céu claro, um sol a brilhar no fundo e sem pensar pôs-se a navegar.
Marolinhas colocavam o barquinho oscilante cada vez mais longe da praia, tornando sua volta mais difícil e tardia.
Dias e noites de muitas palavras, de sorrisos e olhares indagadores, de risos e semblantes sedutores.
À espera da tempestade, mesmo sem saber, o barco seguia.
Algumas nuvens começaram a se formar no céu, a brisa que antes soprava tornou-se vento forte, quase uivante.
Assustado pela velocidade dos ventos e a voracidade da formação das ondas, o barco compacto e tremelicando sentiu-se menor ainda do que já era. Lutou para manter-se marinheiro. As ondas cresciam, assustavam à medida que batiam, fortes e esmagadoras em seu casco tão sensível.
No silêncio dos sorrisos ouvia-se só um tropel de vento, madeira retorcendo e ondas furiosas a quebrar.
O incrível amor pelo horizonte fez o barco persistir; não abriria mão de chegar onde quis chegar ao sair daquela praia, ao subir sua âncora, ao sentir a areia ficar no fundo do seu casco e sumir, afundando no mar azul.
O barquinho frágil se viu forte, reuniu o que podia de seus escassos recursos e decidiu enfrentar a tempestade que furiosa assolava céu e mar.
Ao seu redor um universo de dor, tristeza, devastação. Dentro dele todo o amor do mundo, toda a vontade, todo o desejo de um final feliz, de uma luz, de um pôr-do-sol laranja no horizonte, afinal.
Acreditava e era sua fé que o fazia atravessar a tempestade.
Noite pós noite a tempestade se manteve.
Depois veio o silêncio, aquela calmaria inquietante.
À espera de um milagre, à deriva estava o barco. Sozinho, perdido, largado num mundo de água azul.
Perdeu-se ali, querendo se achar.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Estrela
De azul estava e assim pretendia ficar.
O tom da camisa e do tênis combinavam com a imensidão do céu que guardava sua estrela.
Os olhos ainda nebulosos e vermelhos tinham algo de triste.
Sabiam que agora somente fechados teriam a estrela de volta.
O sorriso franco, aberto, sumiu.
O brilho da noite furtou a luz do dia.
Ainda era azul, por mais negro que parecesse.
O céu, mais claro que a noite anterior, com seu sorriso roubado reviveu.
A dor é de quem, com os pés fincados no chão e uma venda de sofrimento nos olhos, simplesmente não enxerga a estrela que livre reluz; ilumina tudo que seu brilho alcança, sorri despida de toda a capa pesada que carregava.
Pequenina, nova, recém-nascida - a estrela tímida ainda não sabe bem onde está. Na imensidão do céu sente-se tão leve que pode num salto percorrer universos inteiros.
Não é mais aquela menina triste, amedrontada, devastada pelo que não podia suportar.
Agora é estrela, livre, solta no tempo e no espaço. Deixa atrás de si um rastro de pontos de luz, de sacrifício recompensado; um menino, seu menino.
Fez tudo o que podia. E quando não mais pôde ainda assim lutou - por medo de altura, quem sabe? ( Estrelas voam alto demais!).
O menino, vestido de azul e lágrimas, encontrará no céu sua riqueza tão viva quanto a luz que dela provém.
De olhos bem abertos e ouvidos atentos ainda conseguirá ouvi-la.
É que a estrela quando pisca pro menino vira guia.
E enquanto brilha vira norte, traz pra ele a direção, a sorte.
Vai menino! Deixa cair dos olhos o que o tempo tiver que levar.
O azul que hoje te prende é o mesmo que te libertará.
No mesmo céu que hoje cinza você se perde, amanhã você se achará.
Se abrirá nele um clarão tão forte quanto você: enxergará sua estrela a sorrir.
O azul que antes foi dor será a tela do alvorecer. A estrela, maior, muito maior; será sol.
Encosta a cabeça menino, chora... Deixa a estrela brilhar!
Quando estiver pronto seu coração vai pulsar e de olhos bem abertos verá, ainda ofuscados, sua estrela passar.
O tom da camisa e do tênis combinavam com a imensidão do céu que guardava sua estrela.
Os olhos ainda nebulosos e vermelhos tinham algo de triste.
Sabiam que agora somente fechados teriam a estrela de volta.
O sorriso franco, aberto, sumiu.
O brilho da noite furtou a luz do dia.
Ainda era azul, por mais negro que parecesse.
O céu, mais claro que a noite anterior, com seu sorriso roubado reviveu.
A dor é de quem, com os pés fincados no chão e uma venda de sofrimento nos olhos, simplesmente não enxerga a estrela que livre reluz; ilumina tudo que seu brilho alcança, sorri despida de toda a capa pesada que carregava.
Pequenina, nova, recém-nascida - a estrela tímida ainda não sabe bem onde está. Na imensidão do céu sente-se tão leve que pode num salto percorrer universos inteiros.
Não é mais aquela menina triste, amedrontada, devastada pelo que não podia suportar.
Agora é estrela, livre, solta no tempo e no espaço. Deixa atrás de si um rastro de pontos de luz, de sacrifício recompensado; um menino, seu menino.
Fez tudo o que podia. E quando não mais pôde ainda assim lutou - por medo de altura, quem sabe? ( Estrelas voam alto demais!).
O menino, vestido de azul e lágrimas, encontrará no céu sua riqueza tão viva quanto a luz que dela provém.
De olhos bem abertos e ouvidos atentos ainda conseguirá ouvi-la.
É que a estrela quando pisca pro menino vira guia.
E enquanto brilha vira norte, traz pra ele a direção, a sorte.
Vai menino! Deixa cair dos olhos o que o tempo tiver que levar.
O azul que hoje te prende é o mesmo que te libertará.
No mesmo céu que hoje cinza você se perde, amanhã você se achará.
Se abrirá nele um clarão tão forte quanto você: enxergará sua estrela a sorrir.
O azul que antes foi dor será a tela do alvorecer. A estrela, maior, muito maior; será sol.
Encosta a cabeça menino, chora... Deixa a estrela brilhar!
Quando estiver pronto seu coração vai pulsar e de olhos bem abertos verá, ainda ofuscados, sua estrela passar.
O Trem
" Bom dia!" teria dito se pudesse.
Passou seu trem, dentro do horário, sem erro de cálculo, sem atraso.
Não teve tempo de falar sobre a afeição que sente, sobre como sua boca tem um desenho lindo, sobre o hipnotizante olhar que encanta e seduz.
Ficou vendo o trem partir, num tatac-tatac contínuo e duro de se escutar; aquela fumaça poluindo o céu e sua alma.
Sabia que iria para o seu destino, aquele que escolheu, o que quis para si.
Era suficiente saber, não era necessário ver, porém.
Achou por bem escrever uma carta, mandaria sem remetente, sem risco pra ninguém.
Ainda que sem assinatura, entenderia.
As palavras descrevem e desnudam sem pudor! Tiram a capa do talvez, da razão, da sobriedade.
Jogadas, cuspidas no papel elas correm,ligeiras - têm pressa!
O trem chega ao destino. Quem ficou lamenta mas não sofre. Sua carta foi, suas palavras chegarão.
encontrarão talvez um grande amor, embasado, forte, seguro.
Deixarão no ar a vontade, o desejo e a saudade de quem paciente, espera.
Serão lidas, ficarão registradas no mínimo na mente do destinatário.
Apostando na leitura com o coração, um envelope postado com seu perfume segue o trem e vai...
Passou seu trem, dentro do horário, sem erro de cálculo, sem atraso.
Não teve tempo de falar sobre a afeição que sente, sobre como sua boca tem um desenho lindo, sobre o hipnotizante olhar que encanta e seduz.
Ficou vendo o trem partir, num tatac-tatac contínuo e duro de se escutar; aquela fumaça poluindo o céu e sua alma.
Sabia que iria para o seu destino, aquele que escolheu, o que quis para si.
Era suficiente saber, não era necessário ver, porém.
Achou por bem escrever uma carta, mandaria sem remetente, sem risco pra ninguém.
Ainda que sem assinatura, entenderia.
As palavras descrevem e desnudam sem pudor! Tiram a capa do talvez, da razão, da sobriedade.
Jogadas, cuspidas no papel elas correm,ligeiras - têm pressa!
O trem chega ao destino. Quem ficou lamenta mas não sofre. Sua carta foi, suas palavras chegarão.
encontrarão talvez um grande amor, embasado, forte, seguro.
Deixarão no ar a vontade, o desejo e a saudade de quem paciente, espera.
Serão lidas, ficarão registradas no mínimo na mente do destinatário.
Apostando na leitura com o coração, um envelope postado com seu perfume segue o trem e vai...
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