sexta-feira, 1 de março de 2013

O Trem

" Bom dia!" teria dito se pudesse.
Passou seu trem, dentro do horário, sem erro de cálculo, sem atraso.
Não teve tempo de falar sobre a afeição que sente, sobre como sua boca tem um desenho lindo, sobre o hipnotizante olhar que encanta e seduz.
Ficou vendo o trem partir, num tatac-tatac contínuo e duro de se escutar; aquela fumaça poluindo o céu e sua alma.
Sabia que iria para o seu destino, aquele que escolheu, o que quis para si.
Era suficiente saber, não era necessário ver, porém.
Achou por bem escrever uma carta, mandaria sem remetente, sem risco pra ninguém.
Ainda que sem assinatura, entenderia.
As palavras descrevem e desnudam sem pudor! Tiram a capa do talvez, da razão, da sobriedade.
Jogadas, cuspidas no papel elas correm,ligeiras - têm pressa!
O trem chega ao destino. Quem ficou lamenta mas não sofre. Sua carta foi, suas palavras chegarão.
encontrarão talvez um grande amor, embasado, forte, seguro.
Deixarão no ar a vontade, o desejo e a saudade de quem paciente, espera.
Serão lidas, ficarão registradas no mínimo na mente do destinatário.
Apostando na leitura com o coração, um envelope postado com seu perfume segue o trem e vai...





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