Como se não fosse nada veio aquele filete de água por entre os grãos minúsculos de areia.
Formou-se uma pequena vala, a água a fluir aumentava sua quantidade e a intensidade com que corria.
Ao longe, bem distante, via-se o mar com seus mitos tons - mas ali, no meio do nada, eram ó areia e um filete de água.
A pequena vala tornou-se uma fenda à medida em que a água, cristalina e salgada, jorrava mais e mais.
A areia, sucumbindo à força da água que chegou de mansinho, foi se moldando, se adaptando; foi tomando outra forma para abrir espaço para essa nova força que surgia tão transparentemente viva a rolar, fluir, a conduzir a um novo destino, talvez...
Areia e água cada vez mais misturadas tornaram-se elementos concomitantes daquele sistema de energia fluida que se organizava bem ali, às margens da vista de um mar tão longe que agora estava incrivelmente perto.
Grãozinhos de areia bailavam alegres sob o fluxo da água salgada que remexia o fundo e bagunçava os sedimentos que há tempos estavam intactos, quase petrificados.
A água trouxe à areia a leveza de seu movimento, a sutileza de sua passagem constante e progressivamente intensa.
A areia deu à água um caminho a seguir, um destino pra onde ir, uma meta pra conquistar.
O bom de tudo é, afinal, não o que se completa pois para se doar há que ser inteiro antes de tudo. O bom mesmo é ser exatamente o que se é e poder renascer, crescer, conviver e ser mais feliz, sempre!

Nenhum comentário:
Postar um comentário