segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Mais Amor Por Favor

Fala-se tanto de amor nos dias de hoje. Fala-se “eu te amo” sem pensar na responsabilidade que esse sentimento traz consigo.
Esquecem que o amor tem em si a responsabilidade do respeito, do afeto, do cuidado, do carinho, da empatia, do perdão. 
Não bastam frases de efeito, posts com fotos perfeitamente tratadas por filtros, não basta que o mundo “curta” esse amor se o proprietário não o faz.
E há propriedade no que remete ao amor? Será? 
Essa coisa toda de “meu” e de “seu” parece um tanto superficial visto que o amor por si é energia que vibra, é Universo, é multiplicar. 
Quando tomado pra si fica limitado, engarrafado, enjaulado.
Como pode ser amor sendo preso? Sendo de um ou de outro? Como pode ser amor tendo em si um pertencimento seja lá de quem  ou do que for? 
O amor é, o amor vibra, o amor constrói, edifica. O amor é feliz porque cresce, independente da “coisa” amada, porque sendo a amada feliz, ele por si o é. 
E como saber então se é amor? E como corresponder a um amor tão sublime e quase sobre-humano; sem posse, sem cobrança, sem pertencimento? 
Meus caros, perguntem a seus corações e escutem a reposta! Ela está aí, vem de dentro! 
O amor acolhe, escuta, abraça. O amor afeta, projeta, expande a consciência! 
O amor é resiliente, é potente, é forte. 
É uma energia que flui pro bem: de um,  outro, de todos! 
Amor, minha gente! Mais amor, por favor! 

domingo, 13 de maio de 2018

Furacão e Inércia

Acorda.
Abre os olhos ainda confuso depois do furacão que passou. 
Levou tudo! Levou a casa - que ele julgava firme, levou os móveis - que ele julgava fortes, levou os seus - que ele julgava eternos. 
O furacão veio sem aviso. Ventava aqui e lá, silencioso, destruindo aos poucos sem avisar que chegaria ali. 
Ele, seguro em sua hipotética fortaleza,vivia de sonho e de sorriso, de uma estrutura que julgava ser maciça e era frágil - desmoronou. 
Foi uma madrugada já tensa, de ventanias que anunciavam um suposto fim. 
“Será que a cada aguenta?” - pensou ele. 
“É só um vento forte, encosto as janelas e tudo bem.” - supôs. 
A ventania, mostrando a que veio, uivava. Entrou pela casa batendo portas, quebrando copos, pratos, o que via pela frente. 
Assustado, entendeu que só encostar as janelas não bastaria e trancou todas elas, passou a chave nas portas, guardou o que sobrou de suas coisas e foi, covarde, se esconder debaixo da cama. 
Rastejando pelo quarto, ouvindo o zumbir da ventania, ele custava a crer no que estava acontecendo: tudo que ele construiu, sendo levado, devastado, destruído. 
Esqueceu dos seus, no quarto ao lado, acuados. Sua preocupação foi com as coisas, foi com o que batalhou duro pra conseguir comprar - afinal ninguém sabe seu esforço pra ter cada uma daquelas coisas ali, enfeitando sua casa. 
Acovardou-se, esperou o furacão passar. Debaixo daquela cama, no escuro, só sentia o sacudir de tudo desmoronar à sua volta. 
Não tinha mais casa, não tinha mais mobília, não tinha mais família. 
Ouviu, covarde, o grito dos seus a suplicar por ajuda. Não se mexeu. 
Inerte, apenas respirava. Não foi capaz sequer de dizer que os amava, que sentia muito, que simplesmente esse era o melhor que podia fazer - fugir. 
Nem isso. Apenas esperou, parado, estático, debaixo de uma cama. 
Rezou para os céus esperando pelo milagre. 
O milagre não veio. 
Veio sua vida, agora sem por quê. 
Sem casa, sem mobília , sem família. 
“Mas eu não vi” - ele repetia a todos. “Eu não vi o que aconteceu. Só fugi e me escondi o mais rápido que pude. Não sei onde estavam todos, estavam lá?”
E como um mantra ele repetiu pra si, por toda uma vida, vagando, só: 
“Mas eu não vi, eu não ouvi, eu não senti.”

quinta-feira, 26 de abril de 2018

O Preço

Coração que pulsa, vibra. 
Músculo que contrai e relaxa, num ritmo forte. 
Veias e artérias que transportam a vida, levam e trazem. 
Um corpo que sustenta o ser, a carne, a matéria. 
Uma mente que interpreta sinais, que traduz em estados e gera sensações. 
Um corpo que paga o preço das emoções. 
Traduzimos na matéria o que produzimos na alma. 
Hoje falta o ar... 
Fui aos poucos sufocando meu sistema e agora ele grita aqui, fecha a porta e fala CHEGA! 
Tenho que fazer melhores escolhas... Escolhas são um desafio pra mim, assumo. 
O preço tá alto demais, o esforço tá grande demais, a vida tá acelerada demais. 
Ou a gente para o corpo ou o corpo para a gente... 
O aprendizado vem, de alguma forma ele vem. Dessa vez veio a cavalo: firme, forte e certeiro. 
Aprende ou aprende! 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Ipanema

É luz, é claridade, é sol de inverno no Rio. 
É céu azul que se confunde com o mar no final da tarde. 
É o mergulho de lavar a alma na água calma da maré baixa. 
É a areia macia que abraça os pés quando descem do calçadão. 
É aquele pôr do sol do horário verão, visto do Arpoador. 
É o olhar distante pro Dois Irmãos. 
É o vento que sopra leve quando a noite vem. 
É o novo amanhecer, de azuis, vermelhos, laranjas e amarelos. 
É a cor do que se vê. 
É a vida, o presente de ser! 
É o encontro do ontem, do hoje, do sempre. 
É o que vai e vem, como as ondas. 
É vc, Ipanema, tão minha, tão sua. 
É vc, Ipanema! 

Sabe-se Lá

Sabe -se lá o que é de fato ser feliz nessa vida? 

Sabe-se lá o que é ? Um instante, um momento, um sorriso, uma emoção...

Sabe-se que há satisfação, alegria, contentamento. 

Há aquele furor, aquela euforia por um momento. 

Sabe-se que somos feitos de sensações, de emoções, de coração à flor da pele! 

Vibramos, frequências de onda, lâmbidas maiores e menores por aí... 

Oscilamos entre a luz e a sombra, entre calma e o nervosismo, entre o agora e o nunca mais. 

Sabe-se que somos feitos dessa mesma energia, todos nós! Da energia que vibra, pra lá e cá, dançarina nas ondas dos pensamentos, sentimentos. 

Mais rápida ou mais lenta, ela se diverte com nosso desequilíbrio pra se equilibrar, e como mesmo uma roda de capoeira, nos leva ao chão pra depois nos levantar, graciosa e debochada, vibrando ainda mais e melhor! 

Sabe-se lá qual é a sua música? 

Sabe-se lá que frequência você vibra? 

Sabe-se lá se você quer levantar quando cai? 

Sabe-se lá?