segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vida Nova

É quando uma nova vida surge que renovamos nosso voto de fé no ser humano, na vida, na possibilidade de fazer melhor, de ser melhor, de não cometer os mesmos erros, de moldar aquela vida à nossa.
É quando ela sai do escuro e quente lugar de segurança pra loucura aqui fora que nos tornamos eternamente responsáveis por sua felicidade - muito embora não possamos fazer absolutamente nada para defendê-la do mundo, ainda que achemos isso.
É quando escutamos seu ruído, seu choro, sua voz como pessoa, que grita " Ei, tô aqui, cheguei!"; é nessa hora que vem o alívio, a certeza que deu tudo certo, que a sua vida está ali, inteira, formada pelo amor de dois seres, pela certeza de duas vidas.
É quando os olhinhos pequenos e assustados se abrem, sem enxergar nada, sem saber onde está, perdida ainda em tanta luz e som, em tanto frio e medo, em tanta gente. É aí que a vida só pede uma coisa: o coração que ela ouviu batendo, o cheiro que ela conhece tão bem, a voz que embalou seus pulos e sonhos quando ainda eram uma só. A pequenina vida quer o amor dos que a fizeram, a calma e a paz que prometeram, o infinito encanto dos corações abertos para recebê-la.
É quando ela deita no peito da mãe, escuta seu coração. 
É quando o ruído some, ela está em casa, está segura, ali é e sempre será seu lar.
É quando ela aperta forte com sua mãozinha tão miúda um dedo que aprenderá a puxar por tantas vezes, que será mão, que será braço, que será o mesmo ombro no qual ela deitará pra dormir por tantos anos - seu pai.
É quando uma lágrima desce por três pessoas, uma família que se forma, um único amor que se traduz em gente.
É quando o que já não se sabe fica certo, reto: ela existe! Uma vida formada por duas pessoas que se amaram e que tiveram dentre tantas dúvidas uma certeza.
É quando ELA é a certeza, é a riqueza, é a maior e melhor lembrança, é a tradução do que é o amor.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Só nós

Dia do Amor! 
Ah, o amor!
Como falar do amor sem falar do que arrebata, que inebria, que entontece?
Tão meu, tão seu, tão nosso!
Sempre foi, sempre será. 
Falem o que quiserem todos, pensem, critiquem. Digam que é loucura, que você não merece, que eu não mereço.
Insistam que poderíamos ser felizes com outras pessoas e que estamos perdendo tempo alimentando esse sentimento.
Mas só quem viveu o nosso amor fomos nós! 
Só nós choramos juntos decidindo ficar separados, só nós morremos de rir de coisas fúteis que achamos idiotamente lindas. 
Só nós nos emocionamos a cada reencontro, a cada abraço forte, a cada beijo cheio de saudade.
Só nós sabemos a vontade que dá de largar tudo e correr pros braços um do outro; fingir que não sofreu, fingir que nada aconteceu.
Só nós ouvimos músicas e abrimos um sorriso ao mesmo tempo em que a lágrima cai, sentindo falta um do outro.
Só nós... 
É assim que decidimos viver esse amor, só nós.
Sem a opinião estranha dos que não sabem o que dizem, sem dar importância a acontecimentos que nada tem a ver com o que sentimos.
Somos mais que qualquer relação fugaz que possamos ter com quem quer que seja.
Somos mais que uma noite, mas que um dia, mais que um cinema ou um beijo dentro do carro.
Somos mais que bebidas e som alto, que vestidos apertados, que galanteios ao pé do ouvido.
Somos o silêncio que fala, somos o olhar de vontade e perdão, somos a saudade infinita da vida que não vivemos.
Somos o sonho que temos juntos, que só nós sabemos, só nós.
Um dia, nessa vida, em outra, em qualquer planeta, a qualquer momento, sabemos:
Somos só nós, nada mais.




sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Verbo (I)

Refresca a nuca quando passa, como a noite que cai lá fora.
Reluz e brilha sua pele; aquece e seduz.
Traz a paz com o toque e o sorriso no olhar.
Transparece a emoção sem palavras, sem sons.
Emudece e fita meu corpo no maior silêncio do mundo. 
O mundo que parou pra nos ver amar.
Fala, grita, transborda desejo, põe paixão em cada gesto.
Pega, agarra, aperta - nada é suficiente.
Queria, quero; não posso.
É meu, sou sua; não somos.
Livres vivemos, livre seremos; quando?

Infinitivo (I)

Podia te falar do fervor da alma e da malícia no olhar.
Dizer do prazer de cada beijo, da sedução em cada toque.
Silenciar no encanto dos nossos corpos, misturados na penumbra. 
Sentir o suor e a saliva, cada gota de luxúria que vem de nós dois.
Ser eu, nua, sua.
Ser você, só olhar, só silêncio.
Sermos nós um só, sermos juntos corpos e almas.
Fugir do mundo por um instante.
Viver horas por uma vida; errantes!
Viajamos e voltamos mil vezes - e ainda estamos exatamente aqui.
Sonhar com você é bom mas viver você é muito melhor!