terça-feira, 20 de março de 2012

Verão do Quarteto

Sem perceber passam os dias; e ao me deparar com o outono começando na manhã de sol entre nuvens hoje, vi mais do que antes.
É que o sol forte do verão por vezes cega; o calor torna todo e qualquer sentimento altamente verdadeiro e apaixonante. A verdade é que nos apaixonamos muito mais pelo que acreditamos estar sentindo do que propriamente pelo objeto da paixão.
É bom sentir o coração acelerar, o peito comprimir, mãos trêmulas, cabeça nas estrelas. Escutar um samba, uma gota de suor que desce pelas costas, um leve passar de mãos pelos cabelos. Olhar no espelhinho do blush inseparável, elevar as sobrancelhas e sorrir para si mesma - gestos que se repetem durante a noite, durante os maravilhosos dias do verão.
Rir com semelhantes a você: todas devidamente filhas do "samba, suor e cerveja", ou mate, como queira. O verão é democrático, e a nossa escolha quase sempre é a mesma: sorrir, cantar, sambar, retocar o blush e o gloss, dividir mais um combo na "Rosada", dividir mais uma água mineral... Tirar fotos e mais fotos, editar legendas, publicar - marcar ou não marcar, eis a questão!
Viver ao lado de pessoas como elas me faz pensar na alegria da diferença, na felicidade de sermos tão paradoxalmente iguais. Somos felizes, nos fazemos mais felizes a cada dia, trazemos pra perto de nós quem por pouco ri e por muito faz questão de ser "mais uma de nós".
Somos meninas e mulheres, somos por vezes cafajestes, românticas, sonhadoras. Falamos de tudo, com tuuuudo! Gritamos, gargalhamos e sem vergonha de absolutamente nada pretendemos passar mais uns 50 anos assim.
Somos RICAS, somos NOVINHAS, somos CATS, somos acima de qualquer coisa AMIGAS.
Poderia ser pra todo mundo, mas esse é pra vocês!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ah, lua!

Uma das músicas que mais gosto diz " Não tem lua que faça você me amar, não tem lua que faça você passar por mim...". Engraçado pensar nisso nessa noite linda de lua estampada com todo seu esplendor no céu. Hoje ela me trouxe o cheiro, me trouxe o gosto, me trouxe o gesto, o olhar, o carinho.
Olhei pro alto e a vi branca iluminando o meu sorriso, que de tão aberto chegou a ser bobo. Mãos entrelaçadas, palavras, histórias; querer contar a vida em poucos minutos e ver esses minutos passarem como se horas fossem. Uma troca de palavras já conhecidas, expressões tantas vezes já ditas, um amor tão certo que não há protesto, não há quase, não há talvez.
A lua fez você chegar, fez seu calor passar por aqui, fez meu coração acelerar mais uma vez, fez a vida vibrar, mexer, chacoalhar!
Ah, lua, divina e bela lua! Num céu negro e lindo resplandece, assim como eu, assim como você!

A jornada do viajante

O grande viajante partiu para mais uma jornada. Arrumou sua mochila com o estritamente necessário, garrafa de água à mão, e foi. Costas largas, cabelos pretos de graúna, que balançam no sopro do vento, que endurecem na vaidade do gel. Um sorriso que se abre verdadeiramente para poucos, ouvidos atentos "full time", mãos ágeis que elaboram e executam qualquer coisa. O viajante tem como lema a felicidade, como missão o sucesso, como vida o amor.
Numa viagem inocente achou seu coração que há muito havia perdido e com ele veio a chave da porta da frente, aquela que pouquíssimas tiveram e que nenhuma soube de fato aproveitar. A chave reluz no sol, sorri com o olhar, ela o vê como seu oásis no meio do deserto. O viajante abriu seu coração e resolveu não mais fechar já que a chave trouxe a ele o que faltava, e completou sua última jornada.
Ele não viaja mais, e quando o faz é com ela; porque perdê-la significa trancafiar novamente seu coração e isso já não dá mais. Um altar, uma promessa, um sonho. O impossível aconteceu, o circo pegou fogo e ele não morreu queimado: ele virou príncipe porque o sapo que carregava a mochila ganhou o beijo de amor da princesa.
A vida é mais bela, o mundo tem mais cor, ele é nitidamente mais feliz. Com toda distância do que já viveu ele ainda sorri ao lembrar, ele se orgulha do homem que sempre foi e sabe, que a partir de agora, o sapo aprendeu a se comportar.


Mulher, mulher, mulher!

A dor e a delícia de ser mulher!
Acordamos sempre disposta a ter um dia melhor. Café da manhã com coisinhhas gostosas e o mínimo engordativas - porque todos os dias recomeçamos a dieta! Um banho de princesa pra começar bem o dia, minutos ao espelho resolvendo supostas imperfeições que nada mais são que a vida deixando seus registros.
Perdemo-nos em cores e tamanhos de roupas, em combinações de bolsas e sapatos. Achamo-nos lindas e vamos trabalhar.
Como não falar dos filhos, o sonho de todas nós - ou quase todas. A prole que vem mais cedo ou mais tarde, seja biológica, seja por amor profundo; seja uma sobrinha, afilhada. Quem escolhe os filhos é o nosso coração - e não adianta, contra ele não existe argumentação, seu entendimento é pleno sobre o que sente. As crianças iluminam a vida, trazem novo sentido pros sorrisos e pra batalha do dia-a-dia; as meninas desde sempre mostram sua garra; os meninos desde sempre deveriam aprender a respeitá-las.
A vida para nós tem muito mais fases, e elas vêm tantas vezes ao longo do tempo que nos vemos apaixonadas mil vezes, amando pra sempre mais mil, pensando "essa foi a ultima vez!" mesmosabendo que a um toque de telefone tudo volta de onde parou - ou recomeça. Decididas, decisivas na vida dos homens, agora sabemos o que queremos! Falta tempo pra tanta responsabilidade mas principalmente para todas as nossas vontades! Queremos mais, queremos melhor; não basta uma casa aconchegante, uma família constante e um marido feliz. Não basta um emprego mediano, uma viagem por ano, passear no final de semana.
Merecemos o melhor da nossa profissão - sim, aquela que escolhemos exercer - o melhor dos parceiros com quem escolhemos compartilhar a vida - porque damos o nosso melhor e nada menos que isso deve ser aceito! - viagens lindas e furtivas em qualquer hora do dia ou da noite - porque disso só depende a nossa vontade, nada mais! - uma casa que nos acolha ao chegar - e a alegria de viver morará nela, fato!
Mulheres, minhas amigas, minhã mãe - a mulher mais guerreira que conheço! - hoje é só uma dia pra dar um parabéns público. Temos que provar todos os dias nosso valor e talvez isso nos torne mais fortes. Aproveitem as flores, os presentes, os muitos parabéns e elogios de hoje mas tenham em mente o pulsar de sua força, de sua graça, da ginga do seu rebolado pra viver a vida com essa coluna reta, abdomen contraído e um sorriso lindo - porque nós somos a beleza do mundo!

quarta-feira, 7 de março de 2012

O ator, as atrizes e a menina.

Quando pensei já saber de tudo, ainda havia mais.
No momento em que as máscaras caem, correr já não adianta. Toda mentira, ainda que sincera, já não interessa mais.
O teatro é lindo, a peça foi boa, tão boa que quase verossímil tornou-se. O ator, de tão bobo quase um palhaço, fez do teatro circo, fez da platéia crianças bobas e crédulas.
O cenário de drama fez a novela mexicana perfeita: o homem sofredor, a mulher dedicada que jura estar com ele até o fim. A trama se dá em meio a tantos coadjuvantes que a atriz vira platéia e passa a integrar o outro mundo.
O ator cresce, toma forma de vilão; seu sofrimento genuíno comove outras atrizes, novas lágrimas, a mesma antiga trama.
A menina que sonha casar com o vilão continua lá, à sua espera na janela de uma casa de telhado vermelho e janela amarela. Ela sempre esteve na janela a esperar e por lá permanecerá porque lá é o seu lugar. O vilão se contenta em jogar beijos de longe e sorrir, a menina chora por dentro e por fora com uma expressão de "alegria-quase-raiva" ela esboça um sorriso maléfico e cheio de rancor.
O ator e a menina se merecem; vivem na mesma trama: ele o drama, ela a mágoa; ele a mentira, ela a ilusão. A verdade deles vira pó cada vez que surge uma nova atriz para o papel da mulher; e cada nova atriz se coloca na platéia a observar o tempo perdido, contentando-se apenas em ter aprendido: homens não são atores, não são vilões.
Esses são os moleques que nunca crescem, os sempre infelizes que arrastam correntes de insatisfação e falsa moral por aí.
Homens são os que erram, são os que choram, são os que fazem a mulher mais feliz com eles do que sozinha, são os que proporcionam momentos tão plenos que tornam-se eternos... São os que mentem eventualmente - mas essas mentiras sinceras talvez interessem!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Redoma

Diante do já esperado, sentada aguardou uma resposta.
A atitude que viria e não veio, é fato: não virá!
Ela tão pequena perto desse universo que há cercou por tanto tempo, agora resolve pegar o atalho e sair, quem sabe fora da redoma de vidro consiga enfim enxergar a verdade?
Ficou por anos ali, imersa em lembranças felizes e se alimentando, como um faminto, sabe que a qualquer momento o que lhe sacia a fome pode terminar; o fez em doses homeopáticas - o medo da saudade era grande demais para consumir-se de todos os momentos de uma vez.
Foi preciso critério, escolha de cada momento, do que viver em cada dia fechada ali, cercada por um vidro enevoado, quase impossível de ver o mundo lá fora.
Bastava passar a mão, escrever palavras, símbolos de amor na tela que a recobria. Como fez outras vezes escreveu pedaços de música, de poesia, alfabeto grego, números, sílabas. Viu o vapor cegar as palavras; viu as letras desaparecerem, os números sumirem... Quanto mais lembrava, mais forte ficava sua respiração. Ofegante, um coração clamava por atitude, pela verdade prometida;  o que saía dele era o ar, era o desabafo, era o que apagava a saudade do que não foi.
E cansada de esperar levantou-se; foi até uma borda do vidro, bateu uma vez, duas. Sentiu-se forte, chutou! Trincou o vidro, sorriu! Viu a possibilidade da resposta ali, bastava um soco, ou um sopro?
Sus sensibilidade não permitiu o gesto violento: soprou e o vidro em mil pequenos pedaços brilhantes foi ao chão. Um tapete de estrelas formou-se, por ele passou flutuando. Seu pequeno mundo virou um universo e munida de toda a verdade do "big bang" que se fez ela pode ver enfim a resposta: sempre esteve ali, sempre estará.
Dentro da redoma ele continua pois fora dela não sabe viver; fora da redoma ela sorri pois dentro sobreviver é pouco pro que ela é.
O universo dela se fez de um caminho brilhante contruído por cacos de dor que virou aprendizado, que virou sorriso, que virou resposta, que levou você.