Quando pensei já saber de tudo, ainda havia mais.
No momento em que as máscaras caem, correr já não adianta. Toda mentira, ainda que sincera, já não interessa mais.
O teatro é lindo, a peça foi boa, tão boa que quase verossímil tornou-se. O ator, de tão bobo quase um palhaço, fez do teatro circo, fez da platéia crianças bobas e crédulas.
O cenário de drama fez a novela mexicana perfeita: o homem sofredor, a mulher dedicada que jura estar com ele até o fim. A trama se dá em meio a tantos coadjuvantes que a atriz vira platéia e passa a integrar o outro mundo.
O ator cresce, toma forma de vilão; seu sofrimento genuíno comove outras atrizes, novas lágrimas, a mesma antiga trama.
A menina que sonha casar com o vilão continua lá, à sua espera na janela de uma casa de telhado vermelho e janela amarela. Ela sempre esteve na janela a esperar e por lá permanecerá porque lá é o seu lugar. O vilão se contenta em jogar beijos de longe e sorrir, a menina chora por dentro e por fora com uma expressão de "alegria-quase-raiva" ela esboça um sorriso maléfico e cheio de rancor.
O ator e a menina se merecem; vivem na mesma trama: ele o drama, ela a mágoa; ele a mentira, ela a ilusão. A verdade deles vira pó cada vez que surge uma nova atriz para o papel da mulher; e cada nova atriz se coloca na platéia a observar o tempo perdido, contentando-se apenas em ter aprendido: homens não são atores, não são vilões.
Esses são os moleques que nunca crescem, os sempre infelizes que arrastam correntes de insatisfação e falsa moral por aí.
Homens são os que erram, são os que choram, são os que fazem a mulher mais feliz com eles do que sozinha, são os que proporcionam momentos tão plenos que tornam-se eternos... São os que mentem eventualmente - mas essas mentiras sinceras talvez interessem!
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