segunda-feira, 5 de março de 2012

Redoma

Diante do já esperado, sentada aguardou uma resposta.
A atitude que viria e não veio, é fato: não virá!
Ela tão pequena perto desse universo que há cercou por tanto tempo, agora resolve pegar o atalho e sair, quem sabe fora da redoma de vidro consiga enfim enxergar a verdade?
Ficou por anos ali, imersa em lembranças felizes e se alimentando, como um faminto, sabe que a qualquer momento o que lhe sacia a fome pode terminar; o fez em doses homeopáticas - o medo da saudade era grande demais para consumir-se de todos os momentos de uma vez.
Foi preciso critério, escolha de cada momento, do que viver em cada dia fechada ali, cercada por um vidro enevoado, quase impossível de ver o mundo lá fora.
Bastava passar a mão, escrever palavras, símbolos de amor na tela que a recobria. Como fez outras vezes escreveu pedaços de música, de poesia, alfabeto grego, números, sílabas. Viu o vapor cegar as palavras; viu as letras desaparecerem, os números sumirem... Quanto mais lembrava, mais forte ficava sua respiração. Ofegante, um coração clamava por atitude, pela verdade prometida;  o que saía dele era o ar, era o desabafo, era o que apagava a saudade do que não foi.
E cansada de esperar levantou-se; foi até uma borda do vidro, bateu uma vez, duas. Sentiu-se forte, chutou! Trincou o vidro, sorriu! Viu a possibilidade da resposta ali, bastava um soco, ou um sopro?
Sus sensibilidade não permitiu o gesto violento: soprou e o vidro em mil pequenos pedaços brilhantes foi ao chão. Um tapete de estrelas formou-se, por ele passou flutuando. Seu pequeno mundo virou um universo e munida de toda a verdade do "big bang" que se fez ela pode ver enfim a resposta: sempre esteve ali, sempre estará.
Dentro da redoma ele continua pois fora dela não sabe viver; fora da redoma ela sorri pois dentro sobreviver é pouco pro que ela é.
O universo dela se fez de um caminho brilhante contruído por cacos de dor que virou aprendizado, que virou sorriso, que virou resposta, que levou você.

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