quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Leão Livre ( I )

O leão, criado na jaula, com tratador e ração, ao ver-se livre foi à caça. 
Cruzou o mundo, desbravou florestas, se alimentou de tanta carne quanto pôde, respeitou seus mais selvagens instintos.
Cansou.
Ao notar que o mundo ao seu redor foi ficando cada vez maior e mais perigoso, o leão correu. Correu tanto, correu muito, correu o máximo que pôde. 
Desviou de todas as distrações do caminho, de todas as tentações que insistiam em aparecer para dissuadi-lo.
Leão que é e sempre será, mantém-se forte, altivo, potente. Mas não mais quer correr, não mais quer caçar. 
Não quer a jaula porque o cativeiro não é vida pra ninguém e sobrevida não lhe convém nem lhe cabe.
Não quer mais a adrenalina interminável da caça sem fim, o desespero de não saber se terá o alimento, o pouso incerto, a solidão da noite.
Seu espírito é livre, sempre será. Forte, selvagem, sem dono. Precisa saber que tem o mundo todo pra correr solto quando quiser e um pedaço apetitoso de carne esperando pra quando voltar faminto.
Não quer a liberdade da caça, quer a liberdade da vida. 
Muito mais que a jaula e o tratador, quer sua leoa, seu amor...



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