sábado, 20 de outubro de 2012

Frescobol

Era só mais um sábado de sol. A praia relativamente tranquila, espaço na beira d'água pro frescobol aguardado a semana inteira!
Chegaram: cadeiras de praia, cangas estendidas, areia quente nos pés. Óculos escuros, cabelos ao vento, pele devidamente preparada para curtir ao sol.
Raquetes e bolinha na bolsa, prontas para O JOGO! 
Mergulho no mar gelado, alma limpa e pronta pra brincar. Se olham, suas almas já conversam, cochicham, sorriem. Eles ainda nem sabem mas já estão em conexão...
"Vamos jogar?" - pergunta. 
"Por que não?" - responde.
Raquetes a postos, vão pra beira d'água, só o final das ondas, leves espumas molhando os pés.
Distanciam-se somente o suficiente pro JOGO, mais uma vez se olham, se observam um pouco mais.
"Pronta?" - ele sorri.
"Mais que você, certo!" - ela quase gargalha num riso expressivamente aberto.
Bola pra cima, bate na raquete; num vai e vem ela oscila de um lado ao outro. 
Esse é um jogo de vencedores, ou todos ganham ou todos perdem. A ideia é que a bolinha não vá ao chão, que os olhos não se desgrudem um minuto do movimento do outro, que cada gesto, cada rebatida seja acompanhada por uma reação adequadamente colocada.
Jogar frescobol é pra quem realmente está preparado. Não é qualquer um que aceita dividir a vitória, que aceita O JOGO  pelo simples prazer de jogar, que enxerga no rebater muito mais que um ataque, mas uma vontade imensa de interagir, de sentir o vai e vem, o ir e voltar da bolinha. É colocar em cada meneio um sentir, um viver, um explodir de emoção. É ter o domínio da ação e controlar a reação de maneira que cumprindo as leis da física sejam iguais em força, em vontade, em verdade.
Cai a bolinha, eles riem. Se abaixam juntos pra pegá-la, a morosa marola a carrega com facilidade enquanto fitam-se encantados por alguns segundos. Alguém grita: "Oi, olha a bolinha!" e distraídos percebem o mar, o sol, a areia, a raquete... Ah, a bolinha, afinal!
Vem voando ao ser lançada. Ele salta e com destreza a alcança no ar, numa demonstração máscula de poder e capacidade (como não podia deixar de ser!).
Ela parada, sentindo apenas as marolinhas que vêm e vão sorri, boba e dispersa. 
Ele vem, quase em desfile, com o riso de canto de boca, cabelos molhados, corpo brilhante de sol e suor.
Não trocam nenhuma palavra. Disseram tudo o que precisavam no JOGO. Talvez queiram dizer mais, mas nesse momento a vontade é suplantada pela necessidade.
Num instante estão sós: não há gente, burburinho, o silêncio é apenas interrompido pelas ondas que quebram maliciosamente harmônicas. Melodiavam as ondas, os olhos, as mãos, os corpos, as bocas.
Inevitáveis: O JOGO, O BEIJO, O MAIS.

E aí, quer jogar?





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