É que ele não sabe, ou simplesmente não notou, que um dia virou uma semana, um mês, um ano.
Deixou o tempo passar e agora perdido procura explicação pro que podia ter vivido sem ter que explicar nada.
Ela ri lá de longe e o enxerga tão pequeno que não consegue entender como pôde ter lhe visto tão magnânimo, tão grandiosamente perfeito.
De fato foi grande, foi forte, foi um pedaço do melhor que poderia ser. E aí residiu o erro: foi só um pedaço.
Ela queria o todo porque era o todo dela que estava disposta a dar. Mesmo ciente das consequências de sua doação desenfreada ela resolveu se jogar, já que não conhecia outro caminho pro amor naquele tempo.
Cresceu, amadureceu; com os ombros pra trás, peito aberto e cabeça erguida caminhou rumo à felicidade.
Esquecer foi uma decisão; deixá-lo no seu castelo cercado de muros intermináveis.
Livre pro mundo, pra tudo, ela seguiu e ele ficou. Permaneceu no seu castelo de areia que com uma pequena onda viraria ruína, nada mais.
Rei do seu mundo de ilusão, foi à torre mais alta numa esperança vã de avistá-la, quem sabe chamar seu nome, tê-la mais uma vez em seus braços como tantas outras vezes.
Do alto olhou e viu um universo enorme, um mundo de horizonte infinito - não a viu. Ou quem sabe não pôde enxergar já que o tempo e sua ilusão o fizeram cego pro que realmente tem valor.
Suspirou, lembrou de momentos bons que não voltariam mais. Pensou em cada palavra dita a ele e em cada uma que ele deixou de dizer. Viveu e reviveu os dias e noites ao lado dela, sentiu seu cheiro... Ah, aquele cheiro! Capaz de ludibriar todos os sentidos ao mesmo tempo, capaz de fazer sua mente se perder em segundos. A luz daquele sorriso que brilhava ao amanhecer nos seus braços, o som leve da voz rouca dizendo bom dia.
Ali se viu perdido em lembranças, era o que restava. Preso, cercado por muros de ilusão, escolheu viver e arcou com a solidão de cada dia que viveu e ainda viverá sem ela.
Seu castelo se dissolveu na primeira onda que veio mais forte. Ela tinha nome: SAUDADE.
Levou consigo muros, torres, castelo; levou tudo. Deixou pra trás apenas restos de areia e a saudade sem fim do que o rei deixou de viver por medo de ser feliz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário