terça-feira, 6 de agosto de 2013

Paredes Brancas

De tanto ser louca, cansou. Parou de espernear, de descabelar-se por qualquer coisa.
Os gritos cessaram, as palavras duras e sem fundamento calaram. Não podia mais, a energia esgotou-se e por fim deixou-a ali, estafada, exausta, sozinha.
Recostada numa das quatro paredes que a cercava ela ouviu aquele silêncio e sentiu dor; uma dor profunda e intensa que teimava em aumentar a cada  lágrima que escorria no seu rosto.
Aquelas paredes alvas, incrivelmente brancas, tão brancas que ofuscavam sua visão. Não enxergava com clareza e seu corpo pesava cada vez mais.
O silêncio deu lugar ao sussurro de um choro há muito contido. Não suportando mais seu próprio peso sobre as costas deitou-se.
Posição fetal, mão direita no peito, mão esquerda entre as pernas. Fechou os olhos com medo do que mais poderia ver se permanecesse olhando aquelas paredes.
Lamentou baixinho; só ela ouvia suas palavras soltas.
Lágrimas caíam uma a uma, olhos cerrados, cenho de quem está tendo um pesadelo e não consegue acordar.
Com os minutos passando vieram soluços entre cada choro contido; abriu os olhos devagar ainda com medo do que iria ver.
Silêncio. Paredes brancas. Nada mais.
Escolheu viver só, escolheu a clausura, escolheu não se entregar a nada nem a ninguém.
Não amou, não sentiu, não se permitiu.
Pensando ser forte, viveu.
Sendo fraca e só, morreu.




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