quinta-feira, 2 de maio de 2013

NO CIRCO TEM PALHAÇO, TEM, TEM TODO DIA!

E quando você acha que já viu de quase tudo nessa vida , que já conheceu todo tipo de gente - dos mais legais aos mais idiotas - vem o mundo e lhe a presenta mais um palhaço de circo!
Mas esse não é um palhaço qualquer, minhas senhoras e meus senhores! Esse é aquele palhaço dono do picadeiro, o imponente, o que comumente ri da cara do outro palhaço, inocente. Afinal de contas eles sempre trabalham em dupla, ou em trio. Por vezes em grupo maiores, mas duplas e trios se formam pro show ficar de mais fácil compreensão.
Ele chega sempre mais colorido, mais chamativo, vestindo o maior e melhor sorriso - geralmente sarcástico. O inocente vem com cara de bobo e tenta, à sombra do outro, agradar, se fazer notar.
O grande palhaço chuta o outro, puxa sua cueca, ri da sua dor quando ele cai no chão; bate palma e acha graça de sua inocência e vê sem tomar qualquer ciência do que ocorre a seu redor. Ele apenas enxerga o que lhe convém, nada que vá além pra ele tem valor. O inocente, o verdadeiro, é bobo; e quando pede socorro, é vaiado até sentir dor.
O imponente não desce de seu pedestal, dono de tudo e do mundo comanda seu circo, manda no picadeiro. Entrega flores a mocinhas sorridentes da platéia, , tira a cartola pra senhores não tão imponentes assim ( rindo por dentro, sempre se considerando mais e melhor.). Gesticula, rodopia, veste sorrisos.
O inocente, sempre considerando-se menos, segue seus passos e por vezes toma cutucões, tapinhas no "pé da orelha": "- De leve, só pra ficar esperto!" diz o grande palhaço! Fala e faz tudo o que considera engraçado, tudo o que o fizer gargalhar junto à platéia.
Ao final de seu número, quando sua apresentação vai perdendo a graça, o inocente ri e o grande cai em desgraça! Geralmente tropeça em suas próprias pernas, antes pedestais para sua onipotência. Cai e se machuca ainda mais que qualquer outro pois quanto mais alto o coqueiro, mais alta é a queda, não é assim que se diz?
De lá de cima ria de todos aqui em baixo, considerava tudo tão pequeno e engraçado; eram piadas sem fim às custas de infelicidade, sofrimento, dor...
Agora, no chão, como qualquer mortal; vê-se com a cara cheia de poeira do picadeiro, sua cartola voou pra longe, seu sorriso marcado sumiu. Seu olhar agora enxerga as pessoas verticalmente e seus ouvidos escutam não risos mas gargalhadas. Crianças pulam, mocinhas apontam, senhores debocham de sua queda ridícula, boba, sem qualquer razão.
O inocente dá voltas em torno dele, observa. Estende a mão e o ajuda a levantar. Juntos agradecem ao público e finalizam o show. Passam para trás das cortinas.
São iguais. Fazem show para arrancar sorrisos. Fingem, enganam. Um mocinho, outro bandido. Tem melhor, tem pior?
Não passam de palhaços, senhoras e senhores, nunca passarão! É assim que querem ser vistos e lembrados: por números de circo, por quedas, chutes, ponta-pés, por truques bobos para enganar mocinhas igualmente bobas; fazer rir por piadas pouco inteligentes...
Fora do picadeiro não são de nada, não valem nem a marmelada!



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