quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Porta da Frente

Fechou a porta. Achou por bem trancar dessa vez. Cansou de só deixá-la encostada na esperança de que enfim ela fosse aberta, de que por ela passasse, de que por ela entrasse alguma luz, uma esperança.
Olhou pra chave. Pensou, uma lágrima brotou no fundo do olho, teimava em cair. Apertou forte os olhos, seu semblante mudou, fechou com força a chave na mão. Sabia que se trancasse a porta jogaria a chave fora e aí nunca, nunca mais teria volta. 
Abriu os olhos, respirou fundo. Olhando viu na palma da mão a marca dos dentes da chave; ficariam marcados ali por alguns instantes, somente o suficiente pra tomar sua decisão.
Caminhou poucos passos, empurrou a porta, enfiou a chave na fechadura ainda esperando que a campainha pudesse tocar ou que chegasse batendo desesperadamente na madeira maciça pedindo pra abrir. Nada.
A marca dos dentes saiu da mão, hora de trancar a porta. A marca no peito não saiu, não sairá tão cedo. Mas se não há mais jeito, se já não é mais tempo de viver, se o caminho que passa através dessa porta já não leva a lugar nenhum o que fazer senão fechá-la? Deixar uma porta encostada pra sempre impede que a vida siga em frente, impede que outras portas se abram, por simples falta de oportunidade.
Tranca a porta, duas voltas pra não ter mais dúvida. Joga a chave fora, quebra, faz qualquer coisa. 
Pela porta da frente não passa mais. Caso um dia queira chegar a esse coração de novo, meu caro, procure outro caminho: outra porta, pule a janela, quebre a parede.
Aqui, meu bem, só mandando fazer outra chave!




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