Gramado verde, uma única árvore digna de filme da Disney bem no alto do monte que se formava ao fundo da cena. Ela linda com seu vestido azul mais claro que o céu girava de braços abertos morrendo de rir da tontura que o rodopio provocava.
De longe, sentado na sombra da árvore ele apenas a observava. Escutava seu risinho juvenil e mesmo sem conseguir definir muito bem suas feições, sabia, era linda! Conseguia apenas ver aquele cabelo de cachos muito negros balançando no vestido azul - podia sentir aquele sorriso.
Ela parou de rodar e se deixou cair na grama. Barriga pra cima, como uma estrela, braços e pernas espalhados, olhos pro céu. Pôde sentir os passos se aproximando - o sorriso despareceu. Pensou estar sozinha, quem seria?
Ele, atraído de maneira irresistível pela imagem turva daquele sorriso levantou-se e decidiu descer o monte. Precisava conhecer a dona do vestido azul e dos cachos cor de graúna.
Ela permaneceu deitada, pensou assim estar escondida na grama que crescia alta. Ele chegava mais perto, lentamente. Para não assustá-la simplesmente pôs-se a rir; achou engraçado o suposto esconderijo que deixava seu vestido azul esvoaçante totalmente visível.
Ela sentou-se indignada, quem ousava afinal rir dela dessa maneira?
Ao vê-lo fugiram-lhe as palavras; os olhares disseram o que a distância de apenas a descida de um monte já havia decifrado. Ele estendeu a mão pra ajudá-la a levantar, ela tentou não sorrir, inutilmente.
Algumas palavras, deram as mãos - ela o convenceu a girar também!
Ela poderia ser só mais uma e se perder no mundo como tantas.
Mas quis ser única e fazer o mundo dele parar de girar por alguns segundos só pra fazer aquele momento acontecer.
Rodopiaram até cair na grama, os dois, de mãos dadas e dedos entrelaçados. Quando imaginariam que uma distância tão curta quanto aquela do monte separaria um momento de solidão de um momento de felicidade tão plena como aquele?
Ela pensou ser menina pra viver cercada de nuvem e sonho.
Mas vendo-se mulher pôde realizar seus desejos e tornar realidade enfim, aquele beijo.
Um cenário perfeito, a princesa, o príncipe. Um conto de fadas.
A pergunta é:
E a vida real, chega quando?

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