Sempre tentando achar desculpas pro imperdoável, explicações pro que não tem razão. Inventamos compromissos de última hora, celulares no vibracall ou simplesmente com a campainha baixa o suficiente pro sujeito "não escutar tocar", caixa postal lotada e aí não deu pra gravar a sua mensagem, a bateria acabou e ele estava na ilha perdida de Lost e não tinha NENHUMA tomada pra carregar nos 5 dias que se seguiram desde que você ligou, o whatsapp travou e aqueles dois benditos tracinhos que apareceram pra você não apareceram pra ele porque houve um boicote à tecnologia do celular do cidadão; ele odeia a Tim, ou a Vivo, ou a Claro, ou a Oi ( alguém ainda tem Oi?!) porque as mensagens de texto incrivelmente não chegam, não se sabe por que motivo.
Não ria, é assim. E assuma, nós fazemos isso: nós inventamos todo tipo de desculpa absurda e esfarrapada pra não admitir que simplesmente o sujeito não quis atender, não quis retornar, não quis responder, não quis ligar pelo fato de que não era interessante para ele fazê-lo naquele momento. É assim, ele são assim, nós somos assim... Eles mentem, nós fingimos que acreditamos, eles acham que enganam, nós nos irritamos, eles acham que está tudo bem, nós sabemos que não está, eles voltam como se nada tivesse acontecido quando lhes é interessante...
E é aí, é nessa hora que temos que ser fortes! É no momento da "volta do cão arrependido". Sabe aquele vira-lata? Aquele que você pega todo magrinho na rua, abandonado na madrugada, cheio de pulga, maltratado, com fome e frio? Leva pra casa, dá banho, carinho, comida, doa seu tempo e sua energia. Um belo dia é só ver a porta aberta que sai o cão sem-vergonha correndo porta afora e some pela rua de novo. Você chora, se desespera, corre atrás pelas calçadas, pergunta a todos pelo cachorro, fica se perguntando o que fez de errado pro cãozinho que você cuidou com tanto carinho ter fugido desse jeito... Chora mais um pouco e o tempo vai passando...
E aí você lembra da sua mãe dizendo certa vez " - Galinha de casa não se corre atrás!".
Adivinha? Quando você está lá, linda, bela, contente, pronta pra comprar um cachorrinho novo, lindo, com pedigree e tudo, quem aparece? O cão arrependido! Com as orelhas caídas, o rabinho entre as pernas, aquele olhar que conhecemos tão bem. Dá a pata, deita de barriga pra cima pedindo carinho, choraminga - sempre o velho charme.
Seu coração dói, as lembranças do tempo feliz que viveram juntos voltam, o cão conhece tão bem a casa, a rotina, seus hábitos, você... Sabe quando está triste, feliz, quando está chegando em casa, fica bem quando você sai; e além disso, agora você já sabe que se deixar a porta aberta ele pode até ir embora, mas vai voltar.
E é nesse momento que você, mulher inteligente, ignora suas faculdades mentais e se permite enganar, e escolhe acreditar, e prefere não tentar uma coisa melhor. Bate a cabeça na parede até quebrar ( a cabeça!), dá murro em ponta de faca, seca gelo: use a expressão que quiser! Você, mulher, insiste, persiste e não desiste de alguém que simplesmente nem investiu em você, ou investiu de maneira insuficiente.
Acredito que estejamos um tanto fartas de tantos cachorrinhos fofinhos que depois de sugar tudo o que temos de bom vão embora em busca da próxima vítima pra vampirizar.
Pode soar como exagero, mas ora bolas, estou aqui pra falar o que penso assim mesmo, indiscriminadamente. Lê quem quer e se a carapuça lhe servir meu caro, repense suas atitudes e seja uma pessoa melhor!
Queridas e lindas mulheres, por mais difícil que possa parecer, tenham esperança! Em algum lugar nesse imenso canil tem que ter um cãozinho lindo, com pedigree e disposto a ser domesticado, tratado, amado, sem ter que fugir toda vez que a porta for aberta.

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