São tantos os equívocos, as palavras não ditas, as interpretações mal feitas - ou nem feitas.
São inúmeras chances desperdiçadas, paixões, amarguradas e mortas pelo medo de viver, amizades desfeitas pelo "não dizer" de coisas tolas que fariam toda diferença.
Não são de ferro os que se calam.
Tampouco são moles, ou bobos demais os que falam.
O silêncio desperta na mente a possibilidade de imaginar tudo! E tudo pra um cérebro provido de imaginação exacerbada é muito mais que um universo inteiro de possibilidades!
Cuidado, meus caros, com a mania de julgar e querer adivinhar o que se passa na cabeça e coração alheios!
É um grande erro querer comparar sentimentos, emoções.
É mesmo um erro enorme achar que se ama mais ou menos, que se gosta mais ou menos, que o outro quer mais ou menos que você.
Não deduza o que não sabe, esteja certo do seu querer e , caso haja interesse, procure saber do outro ( e com ele direta e pessoalmente, com mais ninguém!).
Conjecturas, pressuposições, ideias tortas e soltas num universo de possibilidades trazem coisas variadas mas dentre elas está provavelmente a interpretação de atitudes, palavras, comportamentos; e por fim uma reunião de supostos fatos que trazem à tona um querer - ou a falta de um querer - que jamais existiu!
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Supondo que Maria o amava, João achou por bem dar seu dedinho à bruxa má. Não deixaria de forma alguma que Maria de sujeitasse à tamanha dor e sacrifício.
Supondo que João era um cafajeste como tantos outros, Maria tinha certeza de que João estava dando seu dedo à bruxa má como distração para fugir e que iria deixá-la só e indefesa nas garras da velha rabugenta.
Não deixaria jamais que outro a fizesse passar por tamanha dor e sofrimento.
Supondo tanto, João deu o dedo à bruxa, que para examinar com precisão necessitou abrir a gaiola que os mantinha presos.
Supondo que João pularia da gaiola e a deixaria ali, Maria empurrou João assim que a portinhola foi aberta e saltou.
Ao cair no chão, Maria machucou o pé e João, pendurado na gaiola, ficou desesperado vendo sua dor;não pensou duas vezes: com os pés empurrou a bruxa pra dentro do caldeirão fumegante.
João acolhe Maria nos braços, ela chora. Ele tenta entender o que aconteceu e sem nenhuma palavra dizer Maria repele seu abraço, considera-o um traidor.
Levanta com um pé só, olha nos olhos de João, que sem saber o que fazer apenas fica ali, olhos arregalados, respiração ofegante, Maria pulsando em cada parte dele.
Maria vai na direção da porta e sai, some na floresta sem deixar rastro; sai correndo com toda sua dor.
João, parado na porta sem nada dizer, engole a seco um grito, mudo; que por falta de coragem não soltou.
Maria e João perderam seu grande amor.

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