Olha pra ele numa foto, sorri.
Ainda que amedrontada pela veracidade daquele olhar ela sente arrepios leves percorrerem sua espinha, sacode levemente a cabeça como que desacreditando do que viveu.
Maximiza a foto, modernidade na ponta dos dedos. Analisa a expressão daquela face agora com mais calma. Queria poder tocá-lo agora, sentir seu calor; sua face enrubesce.
Respira fundo, fecha a foto. Revive por segundos as horas ao seu lado.
Ela tão segura de si, tão dona de suas vontades, tão perseguidora da razão se perde agora em devaneios e desejos (incontroláveis!).
Ele não precisa de muito: sorri, a boca se abre de uma forma que a conquista, um pré-sorriso que já a traz o céu. Olha pra baixo, e levemente pra cima; quando se dá conta os olhos se encontram. Sem palavras, já não cabem naquele instante.
As mãos se enlaçam, a pele arrepia, uma gota de suor desce pelas costas.
Firmeza no toque, sentem o cheiro um do outro, feromônios atacando.
Caracóis de cabelos negros a se enrolar uns nos outros. Deslizar leve de mão na nuca, no dorso.
Ele a leva pela cintura, conduz cada passo, gira seu corpo e sua alma - que dança saltitante a rodopiar.
Um cheiro, um gosto, um toque. Todos os sentidos apurados e todos os desejos aguçados.
Ela respira fundo, mãos dadas, olha pra baixo, sorri timidamente.
Levanta o rosto e seu olhar agora é de furor. Quer, mais ainda, exige.
Ele vai mais fundo com aquele olhar insuportavelmente penetrante e a invade um torpor que consome, inebria, contagia.
Desejam, querem, podem.
Ela nem pestaneja e se joga.
Ele olha pra baixo, contrai um sorriso e pensa: " E se?"

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