Um vento forte que tirou todos os papéis das gavetas, que arrastou tudo que viu pela frente, que fez repensar tudo que já sentiu na vida. Uma certeza de que depois dessa ventania viria a calma, a serenidade dos que sabem o que querem e que juntos vão buscar por isso. Faz-se necessário arrumar o que o vento espalhou, realocar o que está espalhado pelo chão, jogar fora o que não serve mais. Obrigados a olhar pra bagunça que o furacão passou e deixou, foram, um a um, arrumando seus livros, seus documentos, suas vidas. Cada coisa no seu lugar, a brisa leve a soprar, eles ali, juntos!
Olhavam-se com a mesma expressão daquela tarde. Um sentimento que ainda não tem nome, que vai além talvez do tal amor tão já batido e surrado, aflora dia-a-dia. Outros ventos sopram mas já não bagunçam mais a casa. As coisas estão indo pro lugar, as gavetas e armários estão de portas fechadas, imunes ao sopro do vento que por vezes teima em
baguncar tudo por lá.
A brisa corre, livre, leve. O sentimento que cresce, que se mostra num olhar, num gesto; é esse sentimento que mantém as portas dos armários e das gavetas fechadas, protegidas do furacão. É o inominável sentimento que mantém a brisa leve, que controla o tornado deixando-o breve, que faz da vida uma tarde de verão: sol, mar, vento e alguém pra amar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário