Uma cidade lá fora, que ri e que chora. Um mundo de luzes e depois de breu e silêncio. Só a chuva cai, só o vento sopra leve de vez em quando.
A cama fria quase vela a quem nela se deita. As paredes parecem se aproximar cada vez mais, criando uma redoma de cimento e brancor. E a chuva ainda cai lá fora.
O barulho do silêncio ecoa: o som da respiração, um carro que passa na rua, um talher que cai no andar de cima. A cabeça gira a mil por hora, os pensamentos vão e vem, incessantes, o corpo padece.
A noite segue, fria, sem sentimento, sem perdão. O teto forma desenhos, forma histórias, traz memórias, refaz momentos, inventa sentimentos. O teto é a tela, limpa, em branco. A mente que faz loopings sem sentido, pinta com cores frias, joga a tinta preta, pinta de novo e agora cores quentes se misturam a todas as outras.
Quando a manhã chega, as primeiras luzes começam a aparecer, as tintas misturadas formam agora um painel de cor e movimento. A vida tomou formato de tudo e nada naquele teto branco, naquela noite escura.

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