Gente que apara a asa do bicho, e que acha que colocando numa gaiola com comida e água tá tudo bem; gente que se satisfaz pensando que um canto de alegria pela manhã e um pela noite pode traduzir uma suposta felicidade do pássaro; ledo engano: asas cortadas, vida ceifada. Gente assim deveria pelo menos parar pra olhar no olho do bicho, ver sua alma ali presa naquela gaiola, ver que suas asas aparadas, feitas pra voar mas agora inúteis ao propósito, estão sedentas pelo céu, pelo ar, pela descoberta das cores da vida tão grande lá fora e tão pequena na gaiola.
Gente que cria pássaro em viveiro deveria saber que pra ser inteiro ele precisa bater as asas, forte, firme! Ele precisa saber que pode ser pássaro, que é bicho solto, que o viveiro tá lá mas que a porta da gaiola tá aberta. Que ele, livre, pode voar e voltar porque essa gente que cria, cuida, ama e entende que pra ser inteiro ele tem que ser bicho, de prisioneiro basta o homem.

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