quarta-feira, 11 de julho de 2012

Desconexos

Quanto vale um sentimento de verdade?
Quanto custa um momento inesquecível?
De que forma se faz do sublime, vil?
Com que palavras se define a covardia de um ser?
Perguntas sem resposta; questões sem esclarecimento.
E precisa?


É claro, ou deveria ser. Honesto, cristalino, transparente.
Mudar de ideia, trocar de roupa, transcender, transformar.
"Tudo muda o tempo todo no mundo", já diz a música.


Um fala, o outro ouve.
Um exala, o outro cala.
Um transpira, o outro gela.
Um abraça, o outro vira.
Um segura, o outro solta.
Um que vai, o outro sai.


O cometa sumiu, a estrela apagou - se é que um dia brilhou.
O salto foi ao chão - sem paraquedas!
O que foi interessante se fez tão superficial que como poeira se desfez no vento. 
Sem palavras, sem som, sem cuidado.
Negligenciando sentimentos e pensamentos, negando uma justificativa qualquer - talvez até as mentiras sinceras do Cazuza interessassem.
A conexão nunca existiu; a invenção do que foi e do que seria nos trouxe até aqui.
Nós? 
Pronome pessoal, não dá pra usar... Está num plural que não houve, numa intimidade pérfida, desprovida de qualquer emoção.


Foi o que sempre foi; deu-se como é, despida e despudorada.
Não sabe o que o outro foi, nunca de seu, nunca se mostrou, não sabe nem quem é.
Desconexos, convexos.
Nós? Sós!


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