quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fruir

Acordou. Olhou de um lado pro outro, nada viu. Parou por um instante: onde estava mesmo? 
Ah,a noite anterior! Foi ela a responsável pelo torpor, pela amnésia momentânea.
Nada como um dia após o outro e uma noite no meio pra melhorar tudo!
Horas de pouca luz, muitos sons; tantas palavras a princípio, poucas palavras ao final. 
Sem levantar, mudando só de posição na cama ainda quente, fechou novamente os olhos. Sorriu, passou a mão nos cabelos revoltos, suspirou.
Era a sua casa, o seu quarto, a sua cama : poderia ser qualquer lugar!
Era ela com seu prazer, desfrutando de cada minuto daquela noite mais uma vez. 
Quem disse mesmo que precisa dormir e acordar abraçado? 
Precisa da cumplicidade do instante, do olho no olho, da palavra certa, das mãos enlaçadas; da pegada forte na cintura, na nuca, no ombro, onde vier, onde quiser. Desnecessárias são as juras do que nunca vai existir, das promessas de um amor que não vem, de elogios que definitivamente não se aplicam.
Quer veracidade, quer sanha, quer a manha do que vai mas não fica e assim mesmo conquista. Ludibriada mas completamente consciente vive, regozija-se, frui de sua volúpia, e com ela adormece.
Coadjuvante no cenário, uma lembrança guardada no armário, o fim de um calvário. Vale a rima pobre por um sentimento nobre: prazer.
Veio e foi, como tantos vieram e virão. Ela fica, sabe quem é, o que quer, quando e onde. 
O motivo? Jamais saberá! Quer porque quer, porque cisma, porque gosta, porque se apaixona, e ama, e sofre, e chora. E se desapaixona, morre de rir sentada na areia de uma praia que sempre foi sua. Mergulha, limpa o corpo e a alma, se deita ao sol.
É pra ele que se doa, que se despe, que se expõe.
Adormece...





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