Um dia como outro qualquer, vendo as muitas loucuras do fantástico mundo do Facebook, deparei-me com o fato de que hoje é o Dia da Saudade. Perguntei por um segundo: tem dia agora pra "comemorar" a saudade, é isso?
Certamente quem me conhece sabe que a saudade, sentimento definido por uma palavra e que existe apenas na nossa língua (o que muito me orgulha), é talvez a minha mais presente emoção. Vivo de cada momento e a intensidade faz parte de mim; talvez por isso sejam tão fortes as minhas relações, as minhas alegrias e as tristezas também.
Cada momento me traz uma saudade diferente; cada pessoa que passa marca de alguma maneira, deixa em mim um outro tipo de saudade; aquela sensação de que poderia ter sido mais, ter vivido mais, ter sentido mais.
É quando vem essa saudade do que não foi que me pego pensando nas peças que o destino nos prega, colocando gente da melhor qualidade no nosso caminho: paixões de doer, amores de viver, filhos pra guardar, pais pra lembrar, amigos pra sorrir. É quando fechamos os olhos e procuramos desenhar em nossas mentes o rosto, o contorno dos ombros, o jeito de caminhar, o sorriso, o gesto das mãos; quando recordamos o cheiro, o gosto, o tom da voz suave ou forte dependendo do estímulo dado; é nessa hora que quem se foi volta tão rápido, tão vivo, tão presente que por um minuto torna-se realidade.
Ela dói, é fato. Saudade dói, às vezes magoa porque sabemos que não podemos sentir - ou não devemos - e mesmo assim ela insiste em bater, insiste em aparecer, se fazer presente e se fazer viva mais uma vez.
Ouvi de alguém a quem admiro e aprendi: a dor é inevitável mas o sofrimento é opcional; e é assim! Sinto uma saudade sem fim do que não vivi, sinto mesmo saudade de ver meu pai me ver na chegada de uma corrida, de ouvir minha filha me chamar de mãe, de acordar junto de quem amo "por todos os dias da minha vida"...
Não sofro pelo que passou, não mais. Vivo pelo que sou, feliz por quem me tornei e principalmente grata a todos aqueles que comigo cresceram, que tanto me ajudaram a entender que essa saudade da minha própria vida nada mais é que a certeza de que vivi momentos que merecem ser relembrados e vividos tantas vezes quantas minha mente quiser - e olha que ela quer!

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