domingo, 15 de janeiro de 2012

É Natal!

Ontem, em meio a um caos de presentes, papéis, laços de fita e uma lista singela de presenteados peguei meus pensamentos voando longe, anos atrás...
Os primeiros Natais são sensacionais! Um bebê fofo pela casa, presentes de infinitas cores, sons, texturas; bochecas apertadas mil vezes, bebê no chão descobrindo as bolinhas de Natal daquela árvore gigantesca e brilhante que tempos depois ele vai ajudar a montar. Uma criança corre da sala pros quartos, faz barulho, ri! Ah, qual é a alegria comparável à risada de uma criança? Uma mocinha sentada no sofá, comportada, conversando com todos os adultos sobre "os assuntos do mundo", respondendo pela milésima vez que não, ela não vai ser médica como o papai e a mamãe quando crescer; que ela quer ser professora de natação; e ouvir as risadas dos adultos, podendo ouvir suas palavras ainda que não as digam " Ah, pobre criança sonhadora!".
E passam os anos, os Natais já não são mais os mesmos; a sala não está mais lá, não tem cadeira de balanço, não tem árvore gigante no canto da sala de mármore rosa, não tem piano pra brincar sentada do colo do herói, não tem mais herói...
Perde o sentido quando o próprio foi criado com base num toque de dedo na porta, com o reconhecimento desse toque pela voz que vinha lá de dentro, a voz de poucas pessoas mas que representavam uma família, que como por encantamento - desapareceu! E mais Natais vêm, e outras famílias chegam às nossas vidas, e conseguimos então perceber que família são aqueles que compartilham conosco de nossas vidas, de nossas alegrias, tristezas, realizações e frustrações; são aqueles que fazem nosso doce preferido e guardam um potinho na geladeira caso a gente só vá mais tarde ou até no dia seguinte. E o Natal foi feliz de novo, e é tão feliz hoje, mesmo faltando pedaços, mesmo com tanta distância, mesmo sem criança (ainda, rs).
Somos felizes porque somos juntos; somos mais, somos melhores e sei que em qualquer parte do mundo, em qualquer tempo, serei eu uma Amorelli, que passei Natais felizes em Ipanema; serei uma Dias Rocha que teve uma infância incrivelmente feliz no Caju; serei Barbie pra minha mãe de leite que eu amo tanto, serei pra sempre a menina que não pára de pular nas festas (seja a festa que for) e que por isso abria um sorriso no rosto da Tia Norma e do Tio Carlos, os pais que eu escolhi depois dos meus. Serei nessa vida e em todas as outras, se Papai do Céu deixar, a maninha da Clá e do Rapha, a cat da Faby e a irmã chata do Wagner que quer subir na cadeira junto pra cantar um parabéns que não é o meu.
Quando comecei a escrever estava pensando num desejo de Natal a todos aqueles que amo. Sei que falei de pouquíssima gente, sei que falta muita coisa, mas tenho certeza de que são esses poucos e raros momentos que agora fazem descer essas lágrimas num sorriso aberto.
Feliz Natal!

24 de dezembro de 2011

Um comentário:

  1. Será q vou conseguir ler todos? Sou sua fã!!! Acompanhei literalmente uma parte da sua história e o melhor dos seus textos é a sinceridade que gera a total veracidade deles. Parabéns pelo blog e pela decisão...te acompanho mesmo de longe e sou muito grata pela sua amizade.
    Beijos
    Lissa

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