Papel, liso, em branco; pronto para letras, palavras, desenhos, pinturas, cores, cortes, dobras. Aparecem as mãos. Tocam, analisam, sentem a textura. Com os olhos a análise se completa e decide-se então por iniciar o processo. São muitas as opções e uma única escolha.
A escolha é o papel, puro, simples, em branco, por si só. Dobrá-lo uma vez , duas, três, infinitas vezes; tantas quantas forem necessárias. Por inexperiência precisa dobrar e desdobrar e voltar a dobrar em outra posição, de outra maneira, até que se alcance o formato desejado.
Depois de algum tempo chega-se ao resultado esperado: a conquista de uma aparente perfeição, um pássaro. Porém sem olho, sem penas; não tem detalhes, não tem singularidade. Deste mesmo podem ser feitos tantos outros exatamente iguais, por outras mãos, outros olhos. Toda a individualidade morreu na escolha anterior. Ao tentar moldar o papel, perdeu a chance de dar vida a ele, emoção, sentimento, verdade.
Quem sabe um desenho? Quem sabe palavras? Quem sabe?
25 de julho de 2011

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