quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Manchas no Teto

Os olhos ainda estavam enevoados quando acordou.
A embriaguez ainda tomava conta daquela cabeça de alguma maneira.
Olhou para o teto como se fosse o céu, contemplando as manchas do tempo que passou.
Aquele tempo, aquele quarto, aquela casa.
O cheiro do que se passou ali ainda formava no ar uma nuvem de sorriso e prazer.
Parado, mãos atrás da nuca, fechou os olhos só por alguns segundos.
esperou ansiosamente para viver e reviver tudo aquilo mais uma vez.
Nem os seus mais longínquos devaneios chegaram perto do que aconteceu ali na quela noite.
Revirou-se, sentiu o aroma fresco de cabelo limpo misturado ao perfume levemente adocicado no travesseiro ao lado.
Voltou ao seu lugar, barriga pra cima, mãos na nuca outra vez.
Observa cada mancha daquele teto, pensa em quantos movimentos elas fizeram durante aquela madrugada quando ele ali, naquela mesma posição, movia-se lenta e ritmadamente, sentindo cada parte dela.
As manchas, juntas ao seu olhar, moviam-se no teto.
Agora aqui, pernas cruzadas, nenhum som, nenhum sussurro, nenhum grunhido de sono.
Recostou na parede: cama de homem solteiro, sem cabeceira, sem almofadas, pra quê?
Lençol enrolado nos pés, sol já entrando pela fresta da cortina semi-aberta.
O cenário ainda é  o mesmo. A cama ocupada por um só, as manchas no teto, o odor legítimo de tudo o que ali aconteceu.
Foram anos de espera; foram horas de quimera.
Foi um sonho realizado.
Olhou mais uma vez para as manchas no teto, testemunhas, viram tudo de tão perto, quase de camarote!
Pegou o travesseiro, inalou profundamente, sorriu.
Deitou-se no meio da cama.
Ela estaria ali para sempre.



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