quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Matrioshka

Pele lisinha e brilhante. Suas cores vivas e seu verniz impecável chamam atenção.
Uma dentro da outra, tantas que quase infinitas se somam e se encaixam.
Desenhos de flor e pedaços de formas inespecíficas, cada cor unida 
à outra por contrastes de alegria e felicidade.
Elas se abrem, uma a uma. Colocam-se lado a lado para uma breve demonstração de sua beleza.
Separadas são muitas mas são leves demais, o vento carrega. 
Separadas são partidas ao meio, somente cabeças e corpos espalhados na mesa.
Pedaços colados, lindas bonecas sorridentes. Inertes, mortas, somente vivendo de suas cores e desenhos.
Encaixadas umas nas outras criam uma vida diferente. Fazem barulho, proporcionam a surpresa do que vem depois.
A graça de abrir, uma a uma; de ver até onde vai. Da maior para a menor, até chegar à pequenina bonequinha, fixa, permanente, inalterável.
Somente ela, a menor e mais protegida não pode ser despedaçada, não dá guarida a ninguém.
Ela é cuidadosamente protegida, por várias, muitas outras que se partem ao meio por amor. Elas se dividem em cabeça e corpo, racham ao meio suas cores e beleza, pela pequenina.
Assim são as mães: se partem mil vezes pra proteger a pequena cria. Colocam-se em mil pedaços pra que a menor permaneça firme, forte. Criam capas superprotetoras e não conseguem compreender que a pequena, sem a maior, inteira, fica desprotegida, triste, sem cor e sem vida.
Matrioshka, tão linda, partida ao meio.



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