Até onde vai a imaginação de uma cabeça?
Qual é o limite da loucura, da criação de histórias só nossas, de futuros previstos nessa bola de cristal única?
Num repente a clareza some e o que parecia real é tão surreal, tão incabível - torna-se vergonhoso até mesmo o pobre pensamento.
A visão do que foi junto ao que poderia ser traz à mente pensante-criativa uma realidade quase palpável. Leva o corpo a gestos crescentes de doação e desejo, os olhos gritam, as palavras se perdem e se acham confusas num redemoinho de fantasia e mundo real.
Quando pensou que acordava, dormiu.
Quando sentiu-se despertando, sonhou.
O inverso do verso lhe trouxe a prosa dura e sem cor.
Preferiu o verso da sua criação a viver proseando desamor por aí.
Preferiu sorrir pensando nos sonhos a franzir seu cenho trazendo rugas de descontentamento.
Desfilou sua poesia, espalhou sua alegria, escreveu com amor e saudade cada letra no papel.
Sujou-se na terra molhada, sentiu a água gelada, leu um rosto com as mãos e pode ver o amor ir e voltar e ir de novo com a velocidade e leveza dos pássaros que migram no verão.
Vive diariamente com a bola de cristal a visualizar mil momentos com mil possibilidades em cada um deles.
Mistura tudo porque prefere a miscelânea de mil coisas boas a uma certeza chata seja do que for.
Usa cores, cheiros, gostos e gestos; coloca palavras até onde não as cabem; sorri do impossível e caminha ( ou corre?) porque só assim consegue fazer tudo funcionar.
Que as muitas vidas que por ela passam lhe deem sempre inspiração, que as histórias vividas e ouvidas sejam exemplo e imagens para a bola de cristal, que se traduzam em palavras todas as emoções dessa vida linda e tão pouco aproveitada por tantos de nós.

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