quinta-feira, 21 de junho de 2012

Queda Livre

Jogou-se! Ao olhar o que a aguardava lá embaixo não teve dúvida e se lançou no ar. 
Em queda livre sentiu o coração subir pra boca, sentiu sua batida mais que acelerada, descompassada.
Fechou os olhos por um segundo, teve medo.
Abriu porque percebeu que a emoção estava na verdade do que via, do que sentia.
Viveu aqueles segundos como os últimos de sua vida.
Sorriu sentindo o descer e subir de tudo dentro dela; gargalhou pensando na felicidade extrema do que estava passando ali.
De repente pensou em voltar. Devia haver alguma maneira de parar aquele tempo, aquele minuto. Tinha que ter uma maneira de voltar à terra firme, á ausência de mudança, à emoção contida.
Olhou pra cima, não viu mais nada além de nuvens, uma névoa leve que não permitia enxergar.
Continuou descendo. Visto que não tinha mais escolha achou por bem aproveitar a aventura.
Abriu os braços, sentiu o vento pressionando a face. Corpo rígido pela força, coração ainda aos saltos tentando se encontrar em meio a tantas emoções.
Viu a proximidade do que havia por fim. Surpresa mas cheia de coragem decidiu acelerar a descida e chegar logo ao seu destino. 
Conseguiu prever o pouso. Conseguiu mentalizar a chegada, a recepção calorosa de quem a aguardava.
Cada vez mais perto, cada vez mais junto. 
Atenta ao grande momento respirou fundo e pousou.
De braços abertos aos abraços ele a esperava ansioso e feliz.
Beijaram-se. 
Mais alguns passos, estavam novamente à beira de uma nova queda livre.
Ponderaram: hora de ir juntos ou acovardar e ficar?
Olhando dentro dos olhos dele, segurando forte suas mãos, disse:
" - Só confio na emoção que vivo, só confio em quem tem coragem de viver comigo qualquer emoção."
Juntos saltaram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário